Os seis primeiros meses do ano trouxeram um cenário de contrastes para o mercado de vinhos no Brasil
O primeiro semestre de 2025 trouxe um cenário de contrastes para as importações de vinhos e espumantes no Brasil, com desafios econômicos persistentes, mas também um impulso nas vendas.
O setor vinícola enfrenta um ano complexo, fortemente influenciado pelo cenário econômico. A volatilidade cambial tem sido um obstáculo significativo para os importadores, tornando as decisões de compra e precificação um verdadeiro malabarismo. Repassar os custos para o consumidor é difícil, especialmente com a inflação projetada acima de 5% e uma taxa de juros elevada em 15%, que dificulta a captação de recursos.
Apesar dos ventos contrários da economia, o inverno mais rigoroso foi um aliado. O frio intenso estimulou as vendas em todos os canais. No varejo, por exemplo, junho de 2025 registrou um crescimento de 20% em vendas em comparação com o mesmo mês de 2024.
Vale lembrar que em junho do ano passado, a média da temperatura máxima em São Paulo foi de 26,3ºC, ou seja, 3,4°C acima da média histórica, o que naturalmente inibe o consumo de vinho.
Com esse cenário de otimismo nas vendas e cautela econômica, o primeiro semestre de 2025 fechou com um crescimento de 4% no volume e 6% no valor das importações. No total, foram 8,1 milhões de caixas importadas, movimentando 240 milhões de dólares.
Os três primeiros meses do ano foram particularmente fortes, impulsionados pela valorização do real. Muitos importadores aceleraram suas compras, seja nacionalizando estoques que estavam em entreposto ou antecipando pedidos para aproveitar o câmbio favorável e mitigar futuras incertezas. Essa estratégia resultou em um crescimento de 14% nas importações no primeiro trimestre. No entanto, abril e maio registraram uma desaceleração de 6%, com uma nova retomada em junho (7%) devido à aproximação do inverno.
Entre as principais origens, o Chile se destacou com o maior crescimento em volume neste semestre, atingindo 13%. Portugal e Argentina, que ocupam a segunda e terceira posições no ranking de volume, apresentaram uma queda de 1% cada. Com esse resultado, os vinhos chilenos aumentaram sua participação em 3 pontos percentuais, fechando o semestre com 48% do total das importações brasileiras.
O aumento do “sell-out” (vendas ao consumidor final) é um alívio para importadores e distribuidores com estoques mais altos. Contudo, a incerteza cambial para o segundo semestre continua sendo uma grande preocupação, especialmente no que tange à rentabilidade.
Fonte: Revista Adega