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Vinhos brancos chegam a 26% do volume de vinhos finos

Tendência de crescimento confirma preferência por rótulos leves e refrescantes ao longo de todas as estações, ultrapassando a sazonalidade do verão

O jornalismo da ProWine São Paulo acompanhou a 10ª edição do Adega Ideal, o mais relevante congresso profissional do mercado de vinhos no Brasil, realizado em São Paulo/SP no dia 2 de setembro.  Sob a mediação de Christian Burgos, CEO da Revista Adega e diretor da PWSP, e Felipe Galtaroça, CEO da Ideal Consulting, o encontro reuniu especialistas, produtores e importadores para discutir tendências, resultados e perspectivas de uma categoria que, mesmo diante de desafios econômicos, segue demonstrando força e capacidade de adaptação.

Entre janeiro e junho, o mercado brasileiro de vinhos e espumantes registrou um crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período de 2024, alcançando 22,8 milhões de caixas de 9 litros. Nos últimos seis anos, a média de movimentação no primeiro semestre foi de 22,3 milhões de caixas, o que indica estabilidade com leve expansão. O crescimento foi equilibrado, com vinhos importados avançando 4,1% e nacionais 4,2%, confirmando a solidez de ambos os segmentos.

“Nós tivemos um primeiro trimestre realmente difícil para o varejo. Em seguida, abril apresentou um bom desempenho devido à sazonalidade da Páscoa. Além disso, o inverno em junho contribuiu para elevar as vendas. Considerando todo o primeiro semestre, o resultado ficou estável, ou seja, o bom desempenho do segundo trimestre compensou o fraco início do ano. Embora não tenha havido crescimento em volume, o faturamento do varejo registrou um aumento de 6%”, explicou Galtaroça.

Tradicionalmente, o primeiro semestre representa cerca de 43% do total anual. Mantido esse padrão, a projeção para 2025 aponta um volume entre 50,6 e 53,2 milhões de caixas de 9 litros, crescimento de 3% a 5% sobre 2024. O segundo semestre deve concentrar o maior fluxo de importações e vendas, impulsionado pelo reabastecimento pós-inverno, pelas festas de fim de ano e pelo aquecimento das compras corporativas.

O frio intenso de 2025 serviu como motor para o consumo, especialmente de vinhos tintos. Esse impulso, porém, encontrou um cenário econômico desafiador, marcado por inflação persistente e reajustes de preços dentro da própria categoria. Ainda assim, mesmo com um consumidor mais cauteloso, a demanda se manteve ativa.

O mercado brasileiro segue dividido entre volume e valor. Os vinhos de mesa representaram 56% do volume total, com preço médio de R$ 18,35, enquanto os importados responderam por 56% do faturamento, com preço médio de R$ 55,30. O preço médio geral da categoria chegou a R$ 31,47 no semestre, e a previsão é que o setor movimente cerca de R$ 20,7 bilhões em 2025, um crescimento real de 7% em relação ao ano passado, superando a inflação projetada de 5%.

As vendas de garrafas permaneceram estáveis, mas o faturamento cresceu 6%, reflexo do repasse de custos, da migração do consumidor para rótulos de maior valor agregado e do bom desempenho dos vinhos finos, que registraram aumento de 5,5% no preço médio. Já os vinhos de mesa tiveram alta mais moderada, de 3,9%, e os espumantes nacionais avançaram 3,1%.

O comportamento por origem também foi diverso. O Chile, maior fornecedor do Brasil, registrou alta de 12% nas importações. Já Portugal, Argentina, Itália e Espanha tiveram retrações no período. Os espumantes nacionais foram destaque, com crescimento expressivo de 13%, impulsionando o setor doméstico, enquanto os vinhos tranquilos brasileiros apresentaram queda de 2%.

Outro dado relevante do primeiro semestre de 2025 foi o desempenho dos vinhos brancos, que consolidaram sua posição como a grande tendência de crescimento. Eles alcançaram 26% do volume total de vinhos finos — nacionais e importados — comercializados no período. O resultado reflete a preferência cada vez maior por rótulos leves e refrescantes, que deixaram de estar vinculados apenas ao verão para se tornarem uma escolha popular em todas as estações do ano. Já os vinhos rosés, que viveram uma fase de expansão acelerada entre 2020 e 2022, estabilizaram sua participação no mercado. Hoje, representam 9% do total, mostrando que conquistaram espaço definitivo entre os consumidores.

No campo dos espumantes, os resultados foram históricos. A categoria alcançou 1,13 milhão de caixas de 9 litros no semestre, crescimento de 8%, o melhor desempenho já registrado para o período. Mais do que números, o avanço mostra uma mudança de hábito do consumidor brasileiro: o espumante vem se consolidando como bebida do dia a dia, e não apenas de celebrações. Essa tendência foi especialmente evidente nas regiões Norte e Nordeste, onde a busca por bebidas mais refrescantes impulsionou as vendas.

“Eu sempre falo que o mercado brasileiro é um mercado muito jovem, muito novo, que está em plena formação. E essa construção precisa de investimento, de estrutura, de todo um processo de amadurecimento, tanto do abastecimento quanto do consumidor, em absorver aquele crescimento. Quando a gente tem uma inflação no patamar que está, que reduz o poder de compra da sociedade e impacta num produto que não é primário, boa parte desse crescimento que nós estamos importando não estamos conseguindo rentabilizar, de fato, por conta de todo esse cenário econômico”, concluiu Galtaroça.

Assista  aqui: Adega Ideal 10ª Edição – Seminário do mercado de vinhos e espumantes

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