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Mulheres à frente: como a liderança feminina está reposicionando o mercado de vinhos e destilados

Em um mercado competitivo e historicamente masculino, presenças femininas vêm se destacando no mundo das bebidas com posicionamento forte e tomada de decisão

Em todo o mundo, o mês de março, especialmente o dia 8, é dedicado às mulheres e à valorização da luta histórica por igualdade de gênero, direitos trabalhistas e pelo combate à violência. O período também se tornou um momento para reconhecer os avanços e a crescente presença feminina em posições de chefia no mercado de trabalho.

Em setores tradicionalmente marcados por estruturas masculinas, como o de vinhos e destilados, essa transformação tem ganhado cada vez mais destaque. Muitas empresas desse segmento começam a abrir espaço para novas vozes, com mulheres quebrando barreiras e conquistando reconhecimento. 

O Grupo La Pastina — marca confirmada na ProWine São Paulo 2026 — é um dos únicos que tem uma condução feminina destacada, tendo como CEO, Juliana La Pastina. Desde agosto de 2020 à frente da marca, ela destaca que sua postura firme e estratégica foi fundamental para conquistar espaço e reconhecimento no mercado. Em um setor ainda predominantemente masculino, sua capacidade de conduzir negociações, tomar decisões e fortalecer a cultura da empresa fez com que seu comando se tornasse um diferencial, mostrando como a presença feminina agrega visão, equilíbrio e inovação ao universo dos vinhos e destilados.

“Sempre procurei olhar o negócio de forma sistêmica, equilibrando racionalidade, e gestão, com a construção de vínculos duradouros. Acredito que o grande valor do poder feminino não está em substituir um modelo por outro, mas em ampliar o repertório de perspectivas dentro das organizações. Diversidade de visões tende a enriquecer o processo de decisão e a tornar as empresas mais conectadas com a complexidade do consumidor contemporâneo”, afirmou a CEO.

Juliana assumiu o Grupo La Pastina durante a pandemia e logo após a morte do seu pai. Mesmo em um momento bastante delicado, a executiva teria que rever toda a organização e disposição da marca para mostrar que sua postura faria diferença e provar que a empresa seguiria em frente e, ainda mais, ampliaria seus negócios.

De acordo com ela, eram dois caminhos claros a serem tomados: manter a estrutura igual como era no comando do pai, Celso La Pastina, apoiando-se na segurança do legado, ou iniciar um processo de reformulação de marca para os próximos ciclos de consumo. Acertadamente, seguiu a segunda opção.

“Isso significou rever portfólio, expandir a atuação em categorias estratégicas, fortalecer marcas próprias e investir em novos projetos, como a consolidação de linhas premium e o desenvolvimento de novas divisões dentro do grupo. Foi uma decisão difícil porque envolvia risco, timing e a responsabilidade de preservar um legado familiar enquanto se construía um novo capítulo para a empresa”, dissertou a chefe do Grupo.

Nesta área marcada por volatilidade — seja pelas oscilações cambiais, pela pressão nas margens ou pelas transformações no comportamento do consumidor — comandar exige tomar decisões difíceis diariamente. Nem tudo pode ser flexível. Em meio às adaptações necessárias para manter competitividade e relevância, há princípios que precisam permanecer intactos. É justamente nesse ponto que a liderança revela seus limites e suas convicções: aquilo que pode ser ajustado e aquilo que simplesmente não se negocia. Para Juliana, três pontos são inegociáveis.

O primeiro é qualidade e autenticidade de origem. Em um mercado pressionado por custos e câmbio, muitas empresas podem ser tentadas a flexibilizar critérios de seleção de produtos. Para o Grupo La Pastina, a curadoria sempre foi o coração do negócio. O foco e o compromisso da empresa está em trabalhar com produtores que têm identidade, história e consistência.

Outro ponto crucial é o posicionamento de marca. O mercado brasileiro de vinhos passa por um processo de premiunização seletiva: o consumidor compra menos volume, mas busca mais valor, origem e narrativa. Abrir mão desse posicionamento para competir apenas por preço seria um erro estratégico.

Por fim, visão de longo prazo. Em um setor como o do vinho, decisões tomadas hoje impactam a marca por muitos anos. Para Juliana, significa resistir à pressão do curto prazo quando ela compromete a construção de valor futuro.

Mais do que ocupar espaços, autoridades como a de Juliana reconfiguram a forma de decidir, negociar e conduzir equipes, provando que diversidade também é estratégia, inovação e futuro. Ao abrir caminhos com coragem e competência, as mulheres ampliam horizontes para que outras não apenas cheguem, mas liderem com voz própria e transformem  as estruturas que por tanto tempo lhes foram negadas.

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