Com faturamento de R$ 21,1 bilhões em 2025, o setor apresenta força em importações e produção nacional
O consumo de vinho tem crescido no Brasil e este é um importante indicativo para o setor. Dados consolidados pela consultoria Ideal Bi revelam que o mercado chegou a movimentar cerca de R$ 21,1 bilhões no país em 2025, retomando um consumo de 3 litros por pessoa ao ano, o que representa uma alta de cerca de 7% em relação ao ano anterior. O aumento reflete a força das importações e da produção nacional.
As importações cresceram 20% em valor entre 2023 e 2025, apresentando um salto de US$ 468,1 milhões para US$ 561,2 milhões, segundo o Ministério da Agricultura (MAPA). Já a produção nacional não ficou para trás e apresentou um crescimento de 38%, chegando a alcançar 2,9 milhões de hectolitros, revela a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
Em comparação a outros países, o consumo brasileiro ainda é baixo. As médias europeias de vinho por pessoa ao ano chegam a alcançar mais de 40 litros, segundo a OIV. Isso demonstra um mercado ainda pouco explorado, com potencial de crescimento sem indícios de perda de fôlego.
Sempre associado a ocasiões formais, o vinho tem se integrado mais ao cotidiano das pessoas, marcando presença em encontros casuais e mais frequentes, tornando-se companhia assídua, sobretudo para as mulheres, que representam 53% do consumo aqui no Brasil, 6% a mais desde 2019, segundo a International Wine & Spirits Record (IWSR). Outro grupo expressivo é o de indivíduos na faixa etária de 55 a 64 anos.
O vinho tinto sempre protagonizou os índices de consumo e assim segue com 67%. No entanto, números levantados também pela Ideal Bi evidenciam expressivo aumento da demanda por vinho branco, que entre 2017 e 2024 foi de 20% para 26%, e pelo rosé, de 4% para 8%. A diversificação abre um importante espaço para o mercado de rótulos leves, menos encorpados.
Toda essa crescente do consumo no Brasil contrasta com o cenário internacional, que enfrenta desafios, como o conflito entre Ucrânia e Rússia, que gerou alta de commodities, de acordo com o Banco Mundial; sanções ocidentais à Rússia, que suprimiram importações de Bordeaux e Champagne, e as tarifas dos Estados Unidos impostas a diversos países que contribuíram com o encarecimento e consequente estoque em excesso de vinhos europeus.
Neste contexto, mesmo considerando a oscilação do câmbio, a oferta internacional se mostra mais competitiva e aberta à exportação, seja de rótulos premium ou de entrada. Assim, longe de qualquer sinal de estagnação, a indústria brasileira de vinhos e destilados transforma-se em um polo emergente e promissor, mesmo diante da crise do mercado tradicional.
Para usufruir desse potencial, é preciso aliar conhecimento do setor e movimentação estratégica. A ProWine São Paulo reunirá especialistas do Brasil e do mundo em um ambiente oportuno para geração de conexão e negócios, capazes de impulsionar a indústria. A feira ocorre de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. As inscrições para profissionais são gratuitas em: prowinesaopaulo.com.