Da conservação do solo à descarbonização, vinícolas investem em práticas que preservam o meio ambiente e valorizam a identidade dos vinhos
O tema sustentabilidade tem atravessado múltiplas indústrias e se tornado um requisito. No setor do vinho, investir na conservação ambiental é garantir um terroir saudável, com solos e biodiversidade preservados, reaproveitamento de recursos hídricos, e redução das emissões de carbono, criando assim as condições ideais para o cultivo natural e sustentável da uva.
A viticultura regenerativa é um caminho inevitável que reabilita e mantém produtivo o terroir onde são cultivadas as castas. Essa abordagem reúne ações como a adubação verde, que consiste no cultivo de plantas específicas entre as linhas das videiras para melhorar a qualidade do solo, evitar erosão e insolação excessiva, além de fixar nitrogênio.
Outra prática é o pastejo planejado, em que animais que se alimentam de ervas daninhas são soltos no período de dormência das videiras, reduzindo o uso de maquinário para eliminar plantas espontâneas. Esses mesmos animais também fornecem adubo natural que aliada à compostagem, que transforma engaço, bagaço e borra de uva em materiais orgânicos que podem ser devolvidos ao solo, torna-se uma potente estratégia para garantir nutrientes essenciais para a agricultura.
Além dos subprodutos, os recursos hídricos também podem ser reaproveitados. A reciclagem da água utilizada na adega para irrigação é uma ótima forma de aplicá-la em limpezas externas, como pisos e vias de acesso, ou mesmo na lavagem de caixas e vasilhames. O abastecimento de máquinas e sistemas de refrigeração é outro exemplo.
Um passo essencial para manter a saúde do terroir de maneira ambientalmente saudável é investir na preservação da biodiversidade. Neste contexto, corredores biológicos que conectam parte da vegetação nativa à área de cultivo funcionam como uma forma de atrair inimigos naturais de pragas como traça-da-uva e ácaros. Esta ação elimina o uso de herbicidas e pesticidas sintéticos, que podem influenciar negativamente a qualidade das castas.
A descarbonização também se destaca como um dos principais pontos de atenção de uma vinícola sustentável, por isso a captura de CO₂ na fermentação, o uso majoritário de garrafas de vidro leves e energia renovável, como painéis solares, para alimentar os tanques de fermentação, refrigeração e as instalações da vinícola são tão importantes.
Quando adotadas ao longo dos processos produtivos, essas práticas contribuem não só para a preservação do meio ambiente como também para a elaboração de rótulos que expressam, com precisão, a identidade do terroir, enriquecendo e tornando mais imersiva a degustação.