Degustação especial promovida pela Monte Dictis percorre a história do vinho cipriota e terá participação do Embaixador do Chipre no Brasil
Há quase três milênios, uvas sobremaduras são deixadas ao sol nas encostas do Troodos, no Chipre, antes de seguirem para a vinificação. A técnica descrita por Hesíodo entre os séculos VIII e VII a.C. permanece na origem do Commandaria, vinho que a Monte Dictis destacará em degustação especial durante a ProWine São Paulo 2026. Ao lado dele estarão quatro vinhos doces gregos, em um percurso que aproxima diferentes épocas, territórios e métodos do Mediterrâneo.
A sessão terá ainda um componente diplomático. O Embaixador do Chipre no Brasil, Dr. Vasilios Philippou, participará da apresentação do Commandaria, produzido pela vinícola cipriota KEO, reforçando uma dimensão que, segundo George Karakaxis, sócio-fundador da Monte Dictis, ultrapassa o universo comercial.
“No Chipre, o Commandaria não é tratado como produto de portfólio, e sim como patrimônio cultural nacional, ao lado da língua e da gastronomia”, explica.
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Considerado por Karakaxis o vinho mais antigo do mundo em produção contínua, com registros que remontam a cerca de 800 a.C., o Commandaria era conhecido na Antiguidade como Nama. A denominação atual surgiu no século XII, quando os Cavaleiros de São João passaram a administrar a região a partir da Grande Commanderie, em Kolossi, durante as Cruzadas, e o vinho começou a circular pelas cortes europeias. Foi nesse período que Ricardo Coração de Leão teria cunhado a frase que o associa a reis.
“Hesíodo já descrevia, no século VIII ou VII a.C., o método de deixar as uvas secando ao sol antes de vinificar, exatamente o que se faz até hoje”, afirma Karakaxis.
Essa continuidade histórica também pode ser encontrada na elaboração. Produzido com as variedades autóctones Xynisteri e Mavro, cultivadas em 14 vilarejos nas encostas do Troodos, o Commandaria parte de uvas colhidas sobremaduras e secas ao sol durante sete a dez dias para concentrar naturalmente o açúcar. A fermentação é interrompida em torno de 15% de álcool, enquanto o caderno de encargos da PDO permite, sem tornar obrigatória, a fortificação até 20%.
O amadurecimento dura pelo menos dois anos em carvalho e segue o método tradicional Mana. As barricas nunca são completamente esvaziadas: o vinho mais jovem é incorporado ao mais velho continuamente, fazendo com que diferentes gerações permaneçam, em alguma medida, na composição.
Na ProWine São Paulo, essa história será colocada em perspectiva com outras tradições mediterrâneas. A Monte Dictis estruturou a degustação como uma viagem que parte do Peloponeso do século XIX, atravessa a Santorini vulcânica e termina no Chipre de 800 a.C. O roteiro também contrapõe duas maneiras de produzir vinhos doces: a fortificação, com a interrupção da fermentação por álcool vínico, e a passificação, baseada na secagem das uvas ao sol.
A abertura ficará a cargo de dois PDOs de Patras. O Muscat de Patras (Patraiki), elaborado com Muscat Blanc à Petits Grains, tem perfil floral e cítrico; o Mavrodaphne de Patras é tinto, passa por envelhecimento oxidativo e traz notas de ameixa seca, cacau e café. Karakaxis o descreve como “a resposta grega, com uva autóctone, à mesma lógica que gerou o Porto e o Madeira”.
Na sequência entram dois Vinsanto de Santorini, das casas Gavalas e Canava Chryssou. Ambos são elaborados com Assyrtiko colhido sobremaduro e seco sobre esteiras em solo vulcânico. A elevada concentração de açúcar encontra contraponto na acidez característica da variedade, responsável por um final de boca seco. O Commandaria encerra o percurso como o único dos cinco rótulos a combinar passificação, fortificação e o envelhecimento perpétuo pelo método Mana.
A experiência será realizada para grupos pequenos no espaço interno do estande da Monte Dictis, nos dois primeiros dias da feira, entre a masterclass temática da tarde e a degustação comercial das 18h. A condução ficará a cargo da sommelière Etienne Carvalho, com apoio de Isabela Carvalho Torres.
A programação da importadora, porém, se estende pelos três dias da ProWine São Paulo. Estão previstas as masterclasses para convidados “Assyrtikos Especiais”, “Tintos Gregos de Expressão” e “O Melhor da Grécia”, além de degustações comerciais guiadas com nove rótulos e provas livres organizadas por região e produtor. O estande terá ainda estações dedicadas a retsinas, azeites extravirgens e azeitonas gregas. Aris Tselepos, da vinícola Tselepos, estará presente durante os três dias para entrevistas com a imprensa.
Ao reunir Grécia e Chipre em uma mesma narrativa, a Monte Dictis procura mostrar que a história dos vinhos doces mediterrâneos não pertence apenas ao passado. Na taça, técnicas atravessaram séculos, castas autóctones sobreviveram e métodos ancestrais continuam produzindo interpretações distintas de uma tradição compartilhada.
Sobre a ProWine São Paulo
A ProWine São Paulo é um spin-off da ProWein de Düsseldorf, na Alemanha. Desde sua estreia, em 2019, tem proporcionado uma experiência única, reunindo os principais players da indústria durante três dias para geração de negócios, lançamentos, relacionamento e compartilhamento de conhecimentos. O evento é uma realização conjunta da Emme Brasil, Inner Group e Messe Düsseldorf. Em 2026, será realizado de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Mais informações e inscrições gratuitas para profissionais em: prowinesaopaulo.com.