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Vinos & Negocios dobra de tamanho na ProWine São Paulo e mira produtores de fora da Argentina

 Espaço criado para conectar pequenas vinícolas a importadores brasileiros passa de 21 para 42 m² e reúne 14 produtores de Mendoza e Salta

O Vinos & Negocios nasceu há dez anos na Argentina como uma feira de negócios voltada a produtores locais, um formato parecido com o da ProWine São Paulo, porém em escala menor, adequada a um mercado com muitos vinicultores mas volume de negócio mais reduzido. Na última edição, em Buenos Aires, a iniciativa já reunia 200 expositores e 3.500 compradores, com o mesmo perfil de público da maior feira de vinhos e destilados das Américas: importadores, distribuidores e varejistas. “Selecionamos vinícolas prontas para fazer negócios no Brasil”, resume Javier Menajovsky, fundador do projeto, sobre a mensagem central do projeto para os compradores que passam pelo estande.

Foi justamente o desejo de pequenos produtores argentinos de expandir para fora do país que motivou a chegada do projeto ao Brasil. Segundo Javier, o mercado brasileiro é o passo natural para essa internacionalização, dada a proximidade geográfica, a facilidade de comunicação e o gosto já consolidado do consumidor brasileiro pelo vinho argentino. O problema é que muitos desses produtores não sabem como dar esse primeiro passo e sentem a ProWine São Paulo como uma feira grande demais para se posicionar sozinhos. Foi para resolver essa lacuna que a organização passou a trazer pequenas vinícolas ao evento brasileiro, replicando o modelo já testado na Argentina dentro de um espaço próprio.

Esse apoio vai muito além de montar um estande. A marca cuida da comunicação visual dos produtores, da seleção dos rótulos mais adequados ao mercado, da tradução de materiais do espanhol para o português e do envio de campanhas de e-mail para importadores, preparando as reuniões antes mesmo da feira começar. A organização também compartilha dados de mercado por meio de uma parceria com Felipe Galtaroça, da Ideal.BI, que já ministrou palestras em Buenos Aires sobre o comportamento do comprador brasileiro. Esse conjunto de suporte garante aos expositores uma localização de destaque dentro do pavilhão, algo que dificilmente um pequeno produtor conseguiria sozinho ou por meio de um importador de porte reduzido.

Neste ano, o crescimento do projeto acompanha a própria expansão da ProWine São Paulo. O espaço, que ocupava 21 m² na edição anterior, dobra para 42 m², com uma localização ainda mais central. A estrutura de atendimento também cresce: de seis para 12 balcões, acolhendo 14 produtores das regiões de Mendoza e Salta, algumas vinícolas dividindo o mesmo espaço.

Embora esta edição reúna exclusivamente vinícolas argentinas, ponto de partida histórico do projeto, a proposta do Vinos & Negocios está aberta a pequenos e médios produtores de qualquer país interessados em se conectar com o mercado brasileiro. Javier já mantém conversas com produtores da Itália e da França para integrar o espaço na próxima edição. “Se você é um pequeno ou médio produtor de qualquer lugar do mundo, também pode participar do Vinos & Negocios”, resume o fundador sobre essa segunda mensagem do projeto, agora voltada aos expositores.

Para Javier, a força de encontros presenciais como a ProWine São Paulo é insubstituível no setor de vinhos. Ele lembra que, mesmo durante a pandemia, quando os encontros pessoais pararam, o consumo de vinho continuou, reforçando que o negócio não se resume a uma venda pontual, mas à construção de parcerias de longo prazo. Ao final de cada edição, os pequenos produtores costumam relatar entre três e cinco relações iniciadas com potenciais importadores, conversas que seguem se desenvolvendo depois do evento.

O Brasil ocupa hoje posição estratégica nas exportações argentinas de vinho, figurando entre os cinco principais destinos e, para a maioria das vinícolas atendidas pelo projeto, é o mercado externo mais relevante fora da própria Argentina. Segundo o executivo, para outros produtores os mercados prioritários podem ser Estados Unidos ou México, país onde a organização pretende lançar uma nova feira no próximo ano, levando também alguns dos expositores que já participaram da edição brasileira.

Quanto a expectativas de negócio, Javier prefere não cravar números para as 14 vinícolas presentes nesta edição. Para produtores sem experiência internacional, o objetivo é essencialmente pedagógico: entender como vender, como abrir um mercado externo e como construir uma relação comercial do zero. O trabalho segue etapas claras, da exposição inicial diante de potenciais importadores até o acompanhamento, já depois de fechada uma parceria, em visitas a restaurantes, supermercados e hotéis no Brasil. Já entre as vinícolas que já exportam para Estados Unidos, Peru ou outros países latino-americanos, mas ainda não têm presença no mercado brasileiro, a expectativa é mais direta: conexão imediata com importadores dispostos a iniciar negócios.

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