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A Tannat avança no sul do Brasil e impulsiona seu crescimento na América do Sul

Da aspereza dos Pirineus à elegância atlântica do Cone Sul, a uva que leva o tanino no nome encontrou no Uruguai o terroir que faltava para conquistar o mundo

A Tannat nasceu dura. O próprio nome avisa: derivado de “tan”, palavra occitana para tanino, a uva carrega na grafia a descrição do que vai aparecer na taça. Originária de Madiran, no sudoeste da França, aos pés dos Pirineus, ela é uma das castas com maior carga tânica do mundo. Seus vinhos, historicamente, precisavam de anos para amaciar. Na Europa, era uma uva difícil de amar. No Uruguai, aprendeu a ser outra coisa.

Por volta de 1870, o imigrante basco Pascual Harriague plantou as primeiras mudas em solo uruguaio. Foi lá que a uva encontrou um terroir que suavizou seu lado mais bruto sem apagar sua identidade. A influência do Oceano Atlântico e dos rios Uruguai e La Plata traz noites mais frias e umidade que os vinhedos franceses nunca tiveram. O resultado foram vinhos mais frutados, com taninos ainda presentes, mas com um arredondamento que Madiran raramente alcança naturalmente.

A adaptação foi tão bem-sucedida que a uva ganhou nome próprio no Uruguai — Harriague, homenagem ao imigrante que a trouxe — e uma data para celebrá-la: 14 de abril, o Dia Mundial da Tannat. Hoje, a variedade ocupa cerca de um quarto de toda a área plantada do país, correspondendo a 36% dos vinhedos uruguaios, contra 0,3% dos franceses. 

No copo, a Tannat é inconfundível. Cor profunda, quase opaca. Aromas de ameixa, cassis e amora, com toques de especiarias, tabaco e chocolate, reforçados em exemplares que passaram por barricas de carvalho. Vinhos jovens podem parecer austeros, mas exemplares com alguns anos de garrafa tornam-se redondos e complexos, sem perder a intensidade que define a casta. 

A casta também atraiu atenção fora da adega: estudos identificaram altos níveis de resveratrol nos vinhos feitos com Tannat, antioxidante associado à saúde cardiovascular, em concentrações superiores às de outras variedades. Fora do Uruguai e da França, a uva segue expandindo território. Está presente na Argentina, no sul do Brasil, na Califórnia, na Itália e na África do Sul. No Rio Grande do Sul, especialmente na Campanha Gaúcha, Tannats com estrutura consistente e acidez marcada começam a aparecer com mais frequência nas cartas de vinhos do país.

Na ProWine São Paulo 2026, produtores uruguaios, brasileiros e de outras origens que trabalham com a variedade integram a seleção da feira. Para os visitantes, é a chance de provar desde o Madiran que a inventou áspera e até o Uruguai que a tornou elegante. A feira ocorre de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. As inscrições para profissionais são gratuitas em: prowinesaopaulo.com

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