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Brasil supera EUA e se torna o segundo maior mercado dos Vinhos de Portugal

Durante webinar, ViniPortugal detalhou estratégia até 2030, anunciou investimento recorde de € 1,45 milhão no Brasil em 2026 e projetou crescimento sustentado em valor

O Brasil acaba de subir um degrau estratégico no mapa global dos Vinhos de Portugal. Durante webinar exclusivo com importadores brasileiros, realizado em 27 de fevereiro, a ViniPortugal revelou que o país se tornou o segundo maior mercado de exportação para os rótulos portugueses, atrás apenas da França e à frente dos Estados Unidos.

“O Brasil passou a ser o nosso segundo mercado. Ultrapassou os EUA e está apenas atrás de França”, afirmou Frederico Falcão, presidente da entidade. “Se analisarmos as exportações ao longo de 26 anos, vemos que Portugal caiu menos do que praticamente todos os grandes players em 2021. Enquanto muitos mercados retraíram fortemente, nós caímos apenas 1%.”

Apesar da retração global em alguns segmentos, os dados apresentados indicam mudança estrutural no perfil das exportações. O Vinho do Porto, tradicional carro-chefe histórico, perde participação relativa, enquanto os vinhos com Denominação de Origem e Indicação Geográfica ganham força. “Estamos a crescer com vinhos de maior valor agregado. O Brasil importa essencialmente vinhos com denominação de origem. Isso mostra maturidade do mercado”, destacou Falcão.

Entre as regiões, o Alentejo mantém a liderança nas vendas ao Brasil. Já no ranking geral de importações brasileiras, Portugal alterna posições com a Argentina, em um cenário de competição acirrada em valor.

Brasil vira foco número 1 de investimento

Se os números já indicavam relevância, a estratégia confirma a prioridade. Segundo Sonia Vieira, diretora de marketing da ViniPortugal, o Brasil será o mercado com maior nível de investimento global da marca em 2026. “Vamos investir 1,45 milhão de euros no Brasil no próximo ano. É o maior aporte entre os 15 mercados estratégicos da marca”, afirmou.

O plano integra a estratégia 2030 da marca Vinhos de Portugal, que tem como metas:

  • Atingir € 1,2 bilhão em exportações até 2030
  • Sustentar crescimento via aumento de preço médio
  • Certificar 40% das empresas no Referencial Nacional de Sustentabilidade

“Queremos afirmar Portugal como hotspot internacional do setor, com posicionamento diferenciado e sustentável”, disse Sonia. Hoje, 64 empresas já são certificadas pelo referencial nacional.

11 cidades, grandes feiras e foco no sell-out

Daniela Costa, gestora de mercado para o Brasil, detalhou um calendário robusto de ativações ao longo do ano, incluindo presença ampliada na ProWine São Paulo, com estande de 252 m² e até 40 produtores. “O nosso objetivo não é apenas presença institucional. Queremos promover sell-out, estimular a compra no ponto de venda e fortalecer a ligação com o consumidor final”, explicou Daniela.

O plano inclui ainda campanhas em 60 lojas especializadas (expansão para São Paulo e Rio), ativações com influenciadores e programas de educação, incluindo participação no primeiro curso introdutório de Master of Wine realizado no Brasil.

Mercado desafiador, mas estruturalmente promissor

Convidado para analisar o cenário, Rodrigo Lanari, fundador da Winext, trouxe uma leitura cautelosa, porém otimista. “O ambiente global é desafiador. Temos moderação de consumo, mudanças comportamentais e pressão econômica. Mas o Brasil é um mercado subpenetrado”, afirmou.

Segundo ele, o país é o quinto maior do mundo em população adulta, mas apenas o 14º em consumo de vinho. O consumo per capita gira em torno de 2,5 a 3 litros por ano — muito abaixo de mercados europeus. “Se o consumo brasileiro fosse médio, avançaríamos várias posições no ranking global. Existe espaço estrutural para crescimento.”

Lanari também destacou o avanço da classe média brasileira: as projeções indicam que 20 milhões de pessoas devem migrar para as classes A, B e C na próxima década, ampliando a base potencial de consumidores.

O desafio: crescer em valor, não apenas em volume

Os dados mostram estagnação em volume na categoria, mas avanço em valor — tendência de premiumização que favorece países com portfólio estruturado. Portugal já ampliou sua participação dentro dos vinhos importados, saindo de 15% para até 17% nos últimos anos, mantendo-se próximo ao preço médio FOB do mercado, indicador estratégico para reposicionamento.

“A grande equação é manter ou aumentar participação e crescer em posicionamento. Não é só volume, é valor”, sintetizou Lanari.

Com investimento recorde, presença ampliada e foco claro em valor agregado, os Vinhos de Portugal sinalizam que o Brasil deixou de ser apenas mercado relevante e passou a ser peça central na estratégia global da categoria.

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