Terceiro destilado mais consumido no mundo, a cachaça movimenta R$ 15,5 bilhões por ano no Brasil e ainda não chegou perto do seu potencial no exterior
Vodca, soju e cachaça. Nessa ordem estão os três destilados mais consumidos no mundo, segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), com base em dados da Euromonitor International. Apesar da relevância no ranking global, a bebida 100% brasileira ainda não alcançou o mesmo reconhecimento internacional de outros destilados. Ainda assim, mantém crescimento consistente no mercado interno.
A cachaça representa 86% dos destilados consumidos no Brasil, de acordo com o IBRAC, e o país produz cerca de 1,3 bilhão de litros por ano. As exportações, no entanto, somam menos de 7 milhões de litros — menos de 1% da produção total.
Dados do Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que o Brasil registrou 7.223 rótulos em 2024, alta de 20,4% em relação ao ano anterior. O número de produtores formalizados também avançou pelo terceiro ano consecutivo, chegando a 1.266 cachaçarias — um movimento que indica maior organização do setor e avanço nos padrões de qualidade e rastreabilidade.
As cachaças de alambique aparecem como um dos segmentos mais promissores nesse movimento. Produzidas em alambiques de cobre, com fermentação baseada em leveduras naturais e, muitas vezes envelhecidas em madeiras como carvalho, amburana ou bálsamo, podem alcançar níveis de complexidade comparáveis aos de destilados premium importados.
Os principais mercados em receita são Estados Unidos, Alemanha, Portugal e França, com a Europa respondendo por quase metade do faturamento das exportações. Apesar disso, o desempenho externo recuou em 2024, com queda de 22,7% em volume e 28,1% em valor. Entre os fatores estão as tarifas aplicadas pelo governo norte-americano, que impactam a competitividade da bebida.
O paralelo mais recorrente entre produtores é a trajetória da tequila. A bebida mexicana levou décadas para reposicionar sua imagem no exterior, deixando de ser associada ao consumo de baixo valor agregado para se firmar como destilado premium, com forte investimento em certificação e educação do consumidor. A cachaça reúne atributos semelhantes, como tradição, diversidade e matéria-prima abundante. O que ainda está em construção é a consolidação de sua imagem internacional e o fortalecimento de padrões que ampliem sua credibilidade no mercado externo.
Com o avanço desse posicionamento, iniciativas voltadas à promoção e internacionalização da bebida ganham espaço. Entre elas está o ProSpirits, selo integrado à ProWine São Paulo, maior feira profissional de vinhos e destilados das Américas, que reúne marcas de diferentes países e cria um ambiente voltado à exposição e à geração de negócios no setor. A próxima edição ocorre de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. As inscrições para profissionais já estão abertas no site prowinesaopaulo.com.