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Conhecer o vinho vai além do sabor

Masterclass de Didu Russo, na ProWine São Paulo, mostrará como identificar autenticidade em vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais

Os debates sobre meio ambiente e sustentabilidade vêm ganhando cada vez mais espaço em diferentes setores e o universo do vinho não poderia ficar de fora. Termos como orgânico, biodinâmico e natural já fazem parte do vocabulário de produtores e consumidores que buscam opções mais alinhadas com práticas responsáveis e menos intervencionistas. Mas, afinal, o que realmente diferencia essas nomenclaturas? Até que ponto todas podem ser consideradas “sustentáveis” ou ecologicamente corretas?

Para esclarecer essas questões e antecipar algumas das reflexões que trará na ProWine São Paulo 2025, o crítico e comunicador de vinhos Didu Russo conversou conosco sobre o tema da masterclass que irá conduzir: “Vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais”. Ele destacou que sua apresentação terá como foco principal o esclarecimento, já que ainda existe muita desinformação a respeito desses temas, algo que a própria indústria do vinho acaba explorando.

“Na palestra, haverá degustação de três vinhos, um de cada método, e tentarei explicar as diferenças básicas, pois se tratam de coisas diferentes nos processos: autenticidade e verdadeiro terroir. Os orgânicos garantem um solo preservado para o futuro, o que é muito importante, mas não garante a representação verdadeira do terroir, uma vez que é comum se acrescentar muita coisa na vinificação das uvas. Os biodinâmicos é um passo muito a frente, muito conhecimento, que pouquíssimas pessoas têm e certamente a melhor maneira de representar um terroir verdadeiramente, já os naturais podem ser uma maravilha ou uma fraude, aliás o que mais tem hoje em dia”, explica Didu.

O expert destacará que, ao longo de 8.900 anos, a humanidade consumiu praticamente o mesmo vinho, até que a chegada da indústria química dividiu o setor entre o vinho do enólogo e o vinho do vigneron. Também pretende mostrar que orgânico e biodinâmico não são sinônimos, mas sim universos distintos, além de chamar atenção para os riscos dos modismos, que ajudam a popularizar esses estilos, mas acabam atraindo aproveitadores que confundem ainda mais o consumidor. 

Outro ponto de esclarecimento será a diferença entre fermentação com leveduras indígenas e fermentação espontânea; esta última mais complexa, ainda que também baseada nas mesmas leveduras. Didu ressalta que certificações não são uma garantia absoluta de qualidade. Sua proposta é desmistificar os conceitos e, na prática, evidenciar o prazer e a singularidade que cada um desses vinhos pode oferecer.

Segundo Didu, o crescimento da procura por vinhos sustentáveis e de menor intervenção é inegável, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, mas também em outros mercados, e está fortemente ligado à maior conscientização ambiental, especialmente entre os consumidores mais jovens. 

Do ponto de vista técnico, ele ressalta que a expressão do terroir, muitas vezes banalizada, depende essencialmente da fermentação das uvas com suas próprias leveduras. Nesse sentido, aponta que a produção orgânica, embora amplamente difundida, costuma recorrer a diversos produtos enológicos, o que nem sempre garante a verdadeira expressão do terroir. Já a biodinâmica, ao abrir mão desses aditivos, busca preservar com mais fidelidade o DNA do local e da safra.

“O grande desafio é fugir dos aproveitadores da moda que acham que fazer um vinho natural é apenas pegar qualquer uva e deixar fermentar. Isso é um pecado que está acontecendo em todo o mundo, não apenas aqui no Brasil. Um vinho natural de verdade necessariamente tem que vir de vinhedo orgânico, melhor ainda se fosse biodinâmico. Sem uma uva limpa não se consegue um resultado que desperte a paixão do consumidor. Costumo dizer que vinhos naturais são aqueles que saem em seu próprio caminho, sem destino certo, como um cavalo selvagem, mas sendo o que são, autênticos, fascinantes”, explica Didu.

Para apreciar as diferenças entre vinhos orgânicos, biodinâmicos, naturais e os convencionais, não há outro caminho senão o da prática: é preciso degustar cada vez mais, com atenção e liberdade, sem se prender a padrões rígidos ou a julgamentos pré-concebidos. De acordo com Didu, o vinho deve ser encarado como fonte de prazer, e não como objeto de regras de etiqueta ou demonstração de erudição. Nesse processo, o respeito ao gosto pessoal é fundamental, já que ele deve ser sempre o verdadeiro guia da experiência.

No Brasil, esse movimento ainda avança de forma tímida, mas é inegável que restaurantes e bares que não oferecem ao menos algumas opções desses estilos começam a ficar defasados em relação às tendências internacionais. O grande desafio está no mercado, que muitas vezes prioriza margens de lucro em detrimento da qualidade, dificultando o acesso, sobretudo aos vinhos biodinâmicos e naturais.

“Eu considero esta masterclass imperdível principalmente para as pessoas estarem bem informadas sobre essas tendências e para ficarem sabendo o que devem evitar, pois o marketing, outra palavra tão abusada e distorcida hoje, não perdoa e faz o que for preciso para vender, inclusive enganar… Não há uma apresentação de qualquer produtor de vinho que não use em seu texto, termos como sustentável, natural, etc. É imperdível também pois os participantes degustarão vinhos muito representativos de seus processos e estilos”, afirma Didu.

A masterclass “Orgânicos, Biodinâmicos e Naturais”, com Didu Russo, será no dia 1º de outubro, das 14h às 15h, no ProWine Forum – Sala 2.

A programação completa das sessões será anunciada em breve, mas as vagas são limitadas e costumam esgotar rapidamente. Garanta já sua inscrição gratuita no site oficial e seja um dos primeiros a conhecer todos os detalhes. Acesse: www.prowinesaopaulo.com

Sobre a ProWine São Paulo

A ProWine São Paulo é um spin-off da ProWein de Düsseldorf, na Alemanha. Desde sua estreia, em 2019, tem proporcionado uma experiência única, reunindo os principais players da indústria durante três dias para geração de negócios, lançamentos, networking e compartilhamento de conhecimentos. O evento é uma realização conjunta da Emme Brasil, Inner Group e Messe Düsseldorf. Em 2025, acontecerá de 30 de setembro a 2 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

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