DRICA nasce para identificar rótulos, guardar degustações e ampliar o conhecimento sobre produtores e estilos da bebida
Um projeto que Carlos Aguiar amadurece há anos está prestes a sair do papel. Sommelier responsável pelo perfil Wine in Rio no Instagram e partner da ProWine São Paulo, ele finaliza a primeira fase do DRICA, aplicativo dedicado a cachaças e drinks. “É um projeto que tenho em mente há bastante tempo e que agora quero colocar em prática”, conta ele, que também já fez curso especializado em cachaça.
A ideia nasceu de um incômodo antigo. Produto genuinamente brasileiro, a cachaça ainda enfrenta um preconceito que o sommelier associa, em parte, à imagem dos rótulos mais simples encontrados nos supermercados. Uma percepção que, segundo ele, está distante da diversidade e da qualidade alcançadas atualmente pela categoria.
“Hoje temos cachaças muito nobres, envelhecidas em carvalho e em madeiras brasileiras, como amburana e amendoim. São 17 tipos de madeira utilizados no Brasil para esse envelhecimento”, explica. Para Carlos, falta justamente fazer esse conhecimento chegar a um público mais amplo.
É nesse ponto que o DRICA pretende atuar. Segundo o sommelier, hoje não existe uma maneira simples de registrar qual cachaça foi degustada em um bar ou restaurante. No aplicativo, o usuário poderá fotografar o rótulo, atribuir notas e construir um histórico pessoal de degustações.
Em uma etapa posterior, quando a plataforma estiver totalmente funcional, a proposta é que a própria fotografia dê acesso automaticamente a informações sobre quem produziu aquela cachaça. “A ideia é contar a história do produtor e permitir que brasileiros e estrangeiros conheçam aquela cachaça, onde ela é produzida e como é feita”, explica.
Os drinks formam a outra frente do projeto. Em vez de se limitar a um catálogo de receitas, como ocorre em muitos aplicativos do gênero, o DRICA pretende dar visibilidade ao bartender e ao bar responsáveis por cada criação autoral.
“Cada mixologista ou bartender tem suas próprias criações. Queremos mostrar justamente isso: quem criou e quem preparou aquele drink”, afirma.
A funcionalidade deverá incluir avaliações e, futuramente, um ranking capaz de mostrar quais drinks têm maior adesão em cada estabelecimento. Outra ferramenta prevista é o reconhecimento, por meio de uma fotografia, de coquetéis já consagrados. A ideia é facilitar a identificação para quem ainda não tem tanta familiaridade com a coquetelaria. “Você poderá tirar uma foto e descobrir, por exemplo, que está tomando um Manhattan”, exemplifica.
No longo prazo, Carlos planeja ainda disponibilizar adesivos com QR Code para bares, facilitando o acesso direto ao aplicativo e estimulando o consumidor a registrar sua avaliação no próprio estabelecimento.
Por enquanto, o DRICA permanece em fase de testes. Carlos vem ajustando detalhes a partir da experiência de amigos que tiveram acesso a versões preliminares. Antes de chegar às lojas de aplicativos, o lançamento inicial deverá ocorrer por instalação direta, e o sommelier planeja compartilhar em breve essa primeira versão para demonstração.
Carlos vê na ProWine São Paulo uma vitrine para iniciativas desse tipo. “A maior feira de vinhos e destilados das Américas reúne o universo das bebidas, dos vinhos aos diferentes destilados, e é uma excelente plataforma para dar visibilidade a esse trabalho”, avalia.
O próprio mercado já oferece sinais de maior abertura para a cachaça. Um exemplo citado por ele é a carioca Academia da Cachaça, especializada na categoria e que soma 2.300 rótulos catalogados em quatro décadas de história. Carlos também observa uma presença crescente da bebida nas cartas de coquetéis autorais.
É nesse cenário que o DRICA pretende encontrar seu espaço: não apenas como um registro do que foi bebido, mas como uma ferramenta para aproximar o consumidor das cachaças, dos produtores e das pessoas responsáveis pelas criações que chegam ao copo.