Consumo de vinhos brancos cresce 28% no Brasil e casta ocupa papel central nessa virada de chave
A Sauvignon Blanc entrou no Brasil por meio dos vinhos chilenos acessíveis, virou linguagem dos sommeliers e, nos últimos anos, passou a ocupar um lugar que poucos previram: porta de entrada de consumidores que nunca tinham se interessado por vinho branco. Primeiro de maio é o Dia Internacional da Sauvignon Blanc, e este ano a data chega em um momento em que os brancos crescem 28% no país, segundo dados da Ideal BI referentes ao comparativo entre o primeiro trimestre de 2025 e o final de 2024.
A casta tem origem em Bordeaux, na França, onde divide espaço com o Sémillon nos brancos secos e nos Sauternes. Mas foi longe de casa que ela encontrou a versão que o mundo passou a reconhecer: a Nova Zelândia, especificamente a região de Marlborough, na Ilha Sul, começou a plantar Sauvignon Blanc por volta dos anos 1970 e produziu vinhos com aromas de maracujá e grapefruit que nada tinham a ver com os estilos europeus. O sucesso foi grande o suficiente para que o Concurso Mundial de Bruxelas criasse, em 2010, um certame dedicado exclusivamente à esta uva.
Para o Brasil, a versão neozelandesa tem menos aquisições do que a chilena. O Chile é o principal fornecedor de vinhos importados ao país, com US$ 213 milhões (R$ 1,05 bilhão na cotação atual) em 2025, cerca de 38% do total importado, segundo dados do Ministério da Agricultura. Dentro dessa fatia, o Sauvignon Blanc dos Vales de Casablanca e San Antonio, com acidez refrescante e aromas cítricos, é um dos rótulos mais reconhecidos pelo consumidor brasileiro. Foi ele que, em grande parte, abriu o mercado nacional para os brancos.
O crescimento dos brancos no Brasil não é um fenômeno isolado. Globalmente, o consumo de vinho branco cresceu 10% nas últimas duas décadas, chegando a representar 43% do total global, segundo análise publicada em 2025 pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) sobre o mercado vinícola mundial. O que muda no Brasil é o ritmo: enquanto a compra de vinho recuou ao menor patamar desde 1961, o setor brasileiro fechou 2025 com faturamento estimado em R$ 21,1 bilhões, crescimento de 9% em relação ao ano anterior, de acordo com a Ideal BI. Brancos e rosés puxaram boa parte desse avanço, respondendo a um consumidor que chega ao vinho por um perfil mais leve e refrescante.
O Brasil também produz Sauvignon Blanc com resultados que estão chamando atenção fora do país. Três regiões vêm se destacando: a Campanha Gaúcha, os Campos de Cima da Serra e o Planalto Catarinense. Com isso, o ecossistema nacional vem mostrando seu potencial de exportação para alavancar, não só a produção brasileira de brancos, mas também a sua imagem no âmbito mundial.
Na ProWine São Paulo 2026, que ocorre de 6 a 8 de outubro no Expo Center Norte em São Paulo, o Sauvignon Blanc vai aparecer em múltiplas versões: nos estandes chilenos e neozelandeses que já consolidaram seus estilos no mercado local, nos rótulos europeus que apostam em perfis minerais e de maior complexidade, e nos produtores nacionais que constroem aos poucos uma identidade própria para a casta. É a mesma uva com muitas histórias. E, no Brasil, essa história ainda está no começo. Inscrições abertas em: prowinesaopaulo.com.