Região portuguesa, que tem o Brasil como principal destino de exportação há mais de uma década, quer mostrar que vai além do Castelão e do Moscatel
A delegação da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) na ProWine São Paulo 2026 é a maior desde que a região passou a participar da feira. São 14 produtores: Adega Camolas, Adega de Palmela, Adega de Pegões, Adega Fernão Pó, Boas Quintas (Herdade de Gâmbia), Comporta Wines, Herdade Canal Caveira, Herdade do Alto do Pina, Herdade de Espirra, Quinta de Catralvos, Quinta do Piloto, Serenada, TROIS e Venâncio da Costa Lima. Todos levam novidades, e dois estreiam na feira: a Herdade do Alto do Pina, com vinhos biológicos, e a Herdade Canal Caveira, que representa o sul da região e um perfil de vinho diferente.
“Teremos, a par do que é a região, uma diversidade imensa nos tipos de vinhos, gamas, estilos e castas, que corroboram, no fundo, o mosaico que é Setúbal”, afirma Andreia Lucas, do marketing da CVRPS.
O tamanho da comitiva acompanha a importância do país para os vinhos de Setúbal. Segundo Andreia, o mercado brasileiro é o destino de exportação preferido da região há mais de dez anos e continua em primeiro lugar no ranking. Ela diz que os consumidores brasileiros conhecem mais os vinhos portugueses do que os próprios portugueses e que, por serem mais maduros e exigentes, estão dispostos a arriscar. “A marca Vinhos de Portugal tem um valor significativo, e isso ajuda a arriscar mais nas escolhas e na experimentação”, diz.
Esse apetite por descobertas explica a mudança de mensagem que a região vem fazendo no Brasil. Setúbal já comunicou aqui o Moscatel de Setúbal, depois reforçou o peso dos tintos e do Castelão, a “casta rainha”, e agora quer mostrar o que existe além dos dois ícones. É esse o tema das duas masterclasses conduzidas por Cecilia Aldaz na feira. Uma é dedicada ao Castelão, para aprofundar o conhecimento sobre a diversidade e o potencial da casta, e a outra aos vinhos de Setúbal para além do Castelão e do Moscatel. “Chega a hora de comunicar no mercado brasileiro que Setúbal tem mais vinhos e mais diversidade”, explica a representante.
O Castelão, aliás, tem em Setúbal uma relação especial. A casta é usada em várias regiões portuguesas, mas é ali que encontra as condições ideais, com areias, sol intenso e grande amplitude térmica que permitem a maturação perfeita. Um Castelão bem trabalhado pode resultar tanto em um vinho jovem, vivo e fresco quanto em um tinto complexo, estruturado e com surpreendente capacidade de guarda. “Há um Castelão para todos”, resume.
Já o Moscatel de Setúbal aposta na versatilidade para renovar a imagem entre os mais jovens. Pode ser servido como aperitivo, digestivo ou sobremesa, e até ser a própria sobremesa, além de funcionar bem na coquetelaria, com cor exuberante e aroma que, segundo Andreia, nenhum outro fortificado iguala. Em Portugal, os maiores fãs do estilo mais jovem são justamente os consumidores de menos idade, que bebem em copo alto, com gelo. “Simples assim! Acreditamos que a coquetelaria e esse consumo informal podem chegar aos jovens e não só”, diz.
Entre as categorias que merecem mais atenção dos compradores internacionais, Andreia aponta os brancos de Setúbal, beneficiados pelo frescor que vem de dois rios e do Oceano Atlântico. A diversidade da região se traduz em dois caminhos que, muitas vezes, convivem no mesmo produtor: de um lado, a tradição, com castas autóctones, vinhas velhas e perfil clássico; de outro, um lado mais experimental, favorecido pelos solos variados, pela influência marítima e pelas cerca de 250 castas possíveis na Indicação Geográfica Península de Setúbal.
O relacionamento com o público brasileiro ganha agora uma nova frente. A CVRPS prepara a Academia de Vinhos de Setúbal, projeto de formação voltado ao mercado do Brasil e inspirado em iniciativas internacionais. A ideia é aproximar a região da comunidade do vinho brasileira, formada por apaixonados, consumidores, atacadistas, importadores, agentes e representantes. O lançamento está previsto com um curso de nível básico chamado Entusiasta, dirigido a consumidores e amantes do vinho que não são profissionais, com conceitos característicos da região. A longo prazo, a academia deve diversificar conteúdos e níveis para diferentes públicos, sempre a partir de uma fonte credível e atualizada, a própria CVRPS.
Entre os objetivos da iniciativa estão estruturar conteúdos educativos de forma acessível e contínua, ampliar o contato com profissionais, formadores de opinião e consumidores, estimular a difusão do conhecimento sobre a identidade da região e criar uma base qualificada de membros interessados em conteúdos, eventos e novidades.