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Brasil mantém posição entre os três maiores mercados dos Vinhos de Portugal e reforça prioridade estratégica

ViniPortugal detalhou estratégia até 2030, anunciou investimento recorde de € 1,45 milhão no Brasil em 2026 e projetou crescimento sustentado em valor

O Brasil segue como um dos mercados mais relevantes no mapa global dos Vinhos de Portugal. Durante webinar exclusivo com importadores brasileiros, realizado em 27 de fevereiro, a ViniPortugal destacou o desempenho consistente do país, que ocupa atualmente a terceira posição entre os principais destinos de exportação, atrás de França e Estados Unidos.

Em 2025, as exportações totais de vinhos portugueses alcançaram € 953,5 milhões e 340,6 milhões de litros. Entre os principais mercados, destacam-se Brasil, Reino Unido, Angola, Bélgica e Espanha, onde as vendas cresceram em valor 1,63%, 2,95%, 21,92%, 133% e 17,04%, respectivamente. A França permanece como principal destino, seguida pelos Estados Unidos e pelo Brasil.

“O Brasil é um mercado estratégico para nós e tem demonstrado evolução consistente em valor”, afirmou Frederico Falcão, presidente da entidade. “Se analisarmos as exportações ao longo dos últimos 20 anos, vemos que Portugal tem vindo sempre a crescer. Enquanto muitos mercados se retraíram fortemente”.

Apesar da retração global em alguns segmentos, os dados apresentados indicam mudança estrutural no perfil das exportações. O Vinho do Porto, tradicional carro-chefe histórico, perde participação relativa, enquanto os vinhos com Denominação de Origem e Indicação Geográfica ganham força. “Estamos a crescer com vinhos de maior valor agregado. O Brasil importa essencialmente vinhos com denominação de origem. Isso mostra maturidade do mercado”, destacou Falcão.

Entre as regiões, o Alentejo mantém a liderança nas vendas ao Brasil. Já no ranking geral de importações brasileiras, Portugal alterna posições com a Argentina, em um cenário de competição acirrada em valor.

Brasil vira foco número 1 de investimento

Se os números já indicavam relevância, a estratégia confirma a prioridade. Segundo Sonia Vieira, diretora de marketing da ViniPortugal, o Brasil será o mercado com maior nível de investimento global da marca em 2026.

“Vamos investir 1,45 milhão de euros no Brasil no próximo ano. É o maior aporte entre os 15 mercados estratégicos da marca”, afirmou.

O plano integra a estratégia 2030 da marca Vinhos de Portugal, que tem como metas:

  • Atingir € 1,2 bilhão em exportações até 2030
  • Sustentar crescimento via aumento de preço médio
  • Certificar 40% das empresas no Referencial Nacional de Sustentabilidade

“Queremos afirmar Portugal como hotspot internacional do setor, com posicionamento diferenciado e sustentável”, disse Sonia. Hoje, 64 empresas já são certificadas pelo referencial nacional.

11 cidades, grandes feiras e foco no sell-out

Daniela Costa, gestora de mercado para o Brasil, detalhou um calendário robusto de ativações ao longo do ano, incluindo presença ampliada na ProWine São Paulo, com estande de 252 m² e até 40 produtores.

“O nosso objetivo não é apenas presença institucional. Queremos promover sell-out, estimular a compra no ponto de venda e fortalecer a ligação com o consumidor final”, explicou Daniela.

O plano inclui ainda campanhas em 60 lojas especializadas (expansão para São Paulo e Rio), ativações com influenciadores e programas de educação, incluindo participação no primeiro curso introdutório de Master of Wine realizado no Brasil.

Mercado desafiador, mas estruturalmente promissor

Convidado para analisar o cenário, Rodrigo Lanari, fundador da Winext, trouxe uma leitura cautelosa, porém otimista.

“O ambiente global é desafiador. Temos moderação de consumo, mudanças comportamentais e pressão econômica. Mas o Brasil é um mercado subpenetrado”, afirmou.

Segundo ele, o país é o quinto maior do mundo em população adulta, mas apenas o 14º em consumo de vinho. O consumo per capita gira em torno de 2,5 a 3 litros por ano — muito abaixo de mercados europeus. “Se o consumo brasileiro fosse médio, avançaríamos várias posições no ranking global. Existe espaço estrutural para crescimento.”

Lanari também destacou o avanço da classe média brasileira: as projeções indicam que 20 milhões de pessoas devem migrar para as classes A, B e C na próxima década, ampliando a base potencial de consumidores.

O desafio: crescer em valor, não apenas em volume

Os dados mostram estagnação em volume na categoria, mas avanço em valor — tendência de premiumização que favorece países com portfólio estruturado. Portugal já ampliou sua participação dentro dos vinhos importados, saindo de 15% para até 17% nos últimos anos, mantendo-se próximo ao preço médio FOB do mercado, indicador estratégico para reposicionamento.

“A grande equação é manter ou aumentar participação e crescer em posicionamento. Não é só volume, é valor”, sintetizou Lanari.

Com investimento recorde, presença ampliada e foco claro em valor agregado, os Vinhos de Portugal sinalizam que o Brasil permanece como mercado prioritário e peça central na estratégia global da categoria.

*Nota de atualização: Esta notícia foi publicada originalmente com a informação de que o Brasil ocupava a segunda posição entre os principais mercados dos Vinhos de Portugal. Após atualização oficial dos dados de 2025, o país permanece como o terceiro maior mercado em valor, atrás de França e Estados Unidos. O texto foi ajustado para refletir corretamente os números divulgados.

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