Empresa se prepara para sua primeira participação na PWSP e tem foco em empórios e harmonizações autorais
A ligação da família de Marcela Tavares com o cultivo do cacau remonta ao século XIX, quando seu bisavô Manoel Misael da Silva Tavares transformou a cidade de Ilhéus em um dos polos da produção nacional. Durante décadas, a família forneceu amêndoas para grandes moageiras, sem participar da cadeia produtiva até o consumidor final. Esse cenário começou a mudar quando, ainda adolescente, Marcela vendia chocolates na escola e percebeu a potência simbólica e econômica daquilo. Anos mais tarde, já no Canadá, ela aprofundaria os conhecimentos sobre o processo Bean to Bar, modelo artesanal que controla todas as etapas da produção, do grão à barra.
Ao retornar ao Brasil no fim de 2008, trouxe consigo técnica e uma visão sobre identidade, sustentabilidade e sabor. Três anos depois, nascia a Cacau do Céu, com sede em Ilhéus e o propósito de transformar o cacau nativo em chocolates autorais, puros, com menos açúcar, mais teor de cacau e zero aditivos desnecessários. Desde então, a marca se destaca pela integração entre inovação, respeito à biodiversidade e valorização da cultura local. Toda a produção utiliza amêndoas de cacau cultivadas no sistema Cabruca – técnica agroflorestal típica da Mata Atlântica, na qual o cacau cresce à sombra de árvores nativas, promovendo a conservação da floresta e da fauna.
A produção da Cacau do Céu tem como base duas propriedades complementares. Na Fazenda Saudade, pertencente à família de Marcela, nasce a linha Bean to Bar, conduzida com práticas agrícolas sustentáveis e gestão inovadora. Já a Fazenda Leolinda, no sul da Bahia, comandada por João Tavares, é referência mundial na produção de amêndoas de alto valor agregado e com certificação de origem. Primeiro brasileiro a conquistar o prêmio Cocoa of Excellence América do Sul, no Salon du Chocolat de Paris (2010 e 2011), João voltou a ser reconhecido em 2021, reforçando o Brasil no mapa do cacau fino. Essa conexão entre origem e excelência consolidou a reputação da empresa também no mercado internacional.
“Esses prêmios são um marco importante para nós. Representam o reconhecimento da dedicação em valorizar o cacau Cabruca e traduzir em nossas barras a riqueza de sabores da nossa terra e da nossa cultura”, reforça o diretor comercial, Carlos Antonio Garcia Rodrigues.
Além das tradicionais barras de alto teor de cacau, o portfólio da marca ganhou novos formatos: bombons, drágeas e linhas sazonais. Outro destaque são as combinações ousadas, que unem chocolates a queijos como gorgonzola ou canastra com doce de leite, criadas para experiências gastronômicas diferenciadas. É com essa proposta que a Cacau do Céu participa, pela primeira vez, da ProWine São Paulo, que funcionará como vitrine para apresentar essas harmonizações ao mercado gourmet e ampliar sua presença em empórios e lojas especializadas.
A empresa aposta na degustação como forma de conexão sensorial com o público. A ideia é abrir novos canais de venda e selecionar cerca de 40 empórios com potencial de revenda. A divulgação está sendo feita pelas redes sociais e por contatos comerciais diretos. Mesmo sem metas numéricas definidas, a expectativa é construir relações duradouras, alinhadas à estratégia de crescimento de 50% no faturamento em relação ao ano anterior.
“A participação na ProWine São Paulo é simbólica para nós. É uma oportunidade de posicionar o chocolate como parte do universo gourmet, com potencial para dialogar com vinhos finos, cafés especiais e queijos artesanais. O crescimento do mercado de lojas especializadas no Brasil abre portas para marcas como a Cacau do Céu, que oferecem produtos com origem certificada e qualidade”, avalia o diretor.
A marca tem ainda outro trunfo: o compromisso com a sustentabilidade em todas as etapas. As embalagens, por exemplo, são 100% biodegradáveis, feitas com biopolímeros, papel e PET que se decompõem em até cinco anos, sem gerar microplásticos. Esse cuidado reflete uma visão de longo prazo, tanto ambiental quanto comercial. A empresa acredita que o consumidor está cada vez mais atento ao impacto de suas escolhas e que produtos alinhados a esse novo perfil têm mais chances de fidelização.
Ao transformar o cacau de origem em produto autoral, a empresa resgata a força econômica e simbólica de um território historicamente ligado a esse fruto. Propõe um modelo de produção que respeita a floresta, valoriza o produtor e oferece ao consumidor uma experiência que vai além do sabor. “Mesmo buscando um alto teor de cacau e uma pureza única, nosso foco não está somente na qualidade do produto final. Valorizamos também toda uma cadeia produtiva, onde o trabalhador, a natureza e o comerciante saem ganhando”, finaliza Rodrigues.
Sobre a ProWine São Paulo
A ProWine São Paulo é um spin-off da ProWein de Düsseldorf, na Alemanha. Desde sua estreia, em 2019, tem proporcionado uma experiência única, reunindo os principais players da indústria durante três dias para geração de negócios, lançamentos, networking e compartilhamento de conhecimentos. O evento é uma realização conjunta da Emme Brasil, Inner Group e Messe Düsseldorf. Em 2025, acontecerá de 30 de setembro a 2 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).