Análise de DNA de sementes antigas revela semelhança genética e ajuda a reconstituir cerca de 4 mil anos da história da viticultura
O vinho é ancestral, presente em grandes momentos da história e, até hoje, simboliza a cultura, a sociedade e a economia de diversas nações pelo mundo. Sua origem é imprecisa, não se sabe quando foi produzido pela primeira vez, mas estudo recente divulgado pela revista Nature Communications permite, por meio da análise do DNA das uvas, entender mais sobre a genética herdada ao longo das gerações, e a evolução da viticultura.
A pesquisa baseia-se na França e territórios mediterrânicos vizinhos, onde houve boa parte do desenvolvimento e expansão do cultivo da fruta. “A região oferece um cenário ideal para explorar as antigas relações genéticas da uva com populações selvagens e variedades modernas, além de rastrear sua difusão espaço-temporal”, explica o artigo.
Foram analisadas 49 sementes, a maioria francesas, antigas e bem preservadas, que abrangem a idade do Bronze (2300–2000 a.C.) até o fim do período medieval (1400–1500 d.C.), totalizando quase 4 mil anos. Os resultados atestam que as uvas antigas compartilhavam características muito similares às que encontram-se nas novas.
Entre as identificações, destacam-se um clone geneticamente equivalente à influente uva Pinot Noir, atualmente produzida, distribuída e apreciada mundialmente. Conclui-se então que suas propriedades estão estabelecidas desde, pelo menos, o final do século XV.
Pinot Noir não foi a única: “A amostra V156, da Ibiza medieval (1027–1160 d.C.), apresentou correspondência com a cultivar ‘Folha de Figueira’, uma variedade de uva branca ainda cultivada em Portugal atualmente”, acrescenta o artigo.
A razão dessa preservação foi a crescente adesão da reprodução vegetativa ao longo dos séculos. Aos poucos as videiras selvagens foram gradativamente substituídas pelas cultivadas, na medida em que as práticas vitivinícolas se propagavam.
“Identificamos clones geneticamente idênticos em sítios arqueológicos distintos, datados de períodos aproximadamente semelhantes, sugerindo o uso de propagação vegetativa e a movimentação intencional de estacas ou, menos provavelmente, sementes – possivelmente por meio de trocas comerciais, como o comércio de frutas ou preparações em ânforas”, explica o artigo.
Sobre a uva Pinot Noir
Considerada por muitos como a rainha do vinho tinto, a Pinot Noir é originária da Borgonha, na França, e utilizada na produção de tintos, rosés e espumantes, como o champanhe. São pequenas, delicadas e originam vinhos suaves, de fácil degustação. Sua cor é clara e seu aroma é predominantemente de frutas vermelhas. Versátil, harmoniza com carnes vermelhas, risotos, massas, queijos e pratos da culinária francesa.