Vinícola do Vale do São Francisco transforma símbolo do maracatu rural em edição limitada e comemora 40 anos com novo espumante
Construída às margens do Rio São Francisco, em Santa Maria da Boa Vista, no sertão pernambucano, a Botticelli chega à ProWine São Paulo 2026 no ano em que completa quatro décadas de existência. A celebração ganha forma em dois lançamentos inéditos, revelados com exclusividade durante a feira: o Extra Brut 40 Anos, espumante elaborado pelo método Charmat longo, e o Caboclo de Lança, edição limitada que homenageia o guerreiro símbolo do maracatu rural pernambucano. “É um vinho que reúne o que nos define. O corte parte do Malbec e leva Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Petite Syrah”, descreve Vinno Gomes, diretor comercial da vinícola.
A Petite Syrah, aliás, é uma das castas que a Botticelli levou pioneiramente ao semiárido brasileiro e que segue pouco cultivada até hoje no país. O Caboclo de Lança passa seis meses em carvalho francês e um ano em garrafa antes de chegar ao consumidor, movimento que Vinno resume como “nosso pioneirismo olhando para frente”. Já o espumante que celebra os 40 anos da marca foi pensado especificamente como expressão do terroir da vinícola, usando o método Charmat em versão longa para dar mais complexidade ao produto.
Os dois lançamentos serão apresentados em uma sessão específica no dia 6 de outubro, às 18h, dentro da programação “Estação Velho Chico”, que a Botticelli organiza no estande coletivo Vinhos do Vale do São Francisco, do Vinhovasf. Nos dias seguintes, a vinícola aprofunda o tema com sessões mais curtas: no dia 7, às 13h, o foco vai para castas patrimoniais da região, como a própria Petite Syrah e a Ruby Cabernet, cruzamento entre Cabernet Sauvignon e Carignan; no dia 8, às 14h, a conversa é sobre a nova geração de espumantes da casa.
Essa aposta em produtos mais sofisticados reflete um movimento maior que a vinícola vem fazendo desde o ano passado. Por quatro décadas, a Botticelli construiu reputação com vinhos jovens e frutados, que ainda são a base do negócio, mas 2025 trouxe a estreia da linha Reserva, com passagem por carvalho francês, além do rótulo de assinatura Botticelli 1501. Segundo o diretor, o ano passado também fechou com crescimento de cerca de 20% em volume e multiplicação por mais de dez do número de pontos de venda, resultados que abriram caminho para a entrada em novas praças como Minas Gerais, Distrito Federal e Rio de Janeiro em 2026, além do início das exportações, hoje com destaque para a Suécia.
Por trás desses números está uma história de diversidade que remonta à própria fundação da vinícola, erguida por um idealizador italiano, um executivo pernambucano, um enólogo gaúcho e trabalhadores vindos do Ceará, da Paraíba e do Maranhão. “Somos a mais antiga vinícola do Vale do São Francisco”, afirma Vinno, lembrando que a casa trouxe Cabernet Sauvignon e Chenin Blanc para o semiárido em um momento em que apostar em tanques de inox ainda era motivo de controvérsia. O Chenin Blanc da vinícola, aliás, foi o vinho oficial da ECO-92, e o terroir da região recebeu o primeiro selo de Indicação de Procedência do mundo voltado a vinhos tropicais.
Esta não é a primeira vez que a Botticelli expõe na ProWine São Paulo: em 2025, a vinícola já havia participado do estande coletivo do Vinhovasf, ao lado da Rio Sol e do Grupo Verano Brasil, ocasião em que apresentou pela primeira vez a linha Reserva. Para 2026, a meta é ambiciosa: o representante da marca projeta transformar a Botticelli em uma marca de alcance nacional até o final de 2027, com a feira funcionando como ponte entre visibilidade e distribuição efetiva nos estados onde a vinícola ainda não está presente.
O momento parece favorável. Vinno cita dados do setor que apontam faturamento de R$ 21,1 bilhões em 2025 para vinhos e espumantes no Brasil, alta de 10% puxada pelo tíquete médio, além do crescimento de dois dígitos na categoria de espumantes e do avanço dos vinhos brancos, que saltaram de 20% para 26% de participação de mercado entre 2020 e 2024. No primeiro semestre de 2026, as exportações de vinhos tranquilos brasileiros também cresceram quase 25%, movimento que o diretor credita ao interesse crescente por rótulos que comuniquem origem e autenticidade. “São tendências que conversam diretamente com o que o Vale do São Francisco faz, e nós, como pioneiros do Vale, estamos de olho nisso”, afirma.
O convite da Vinícola aos visitantes da feira remete diretamente à paisagem que inspira os vinhos da casa: “Venham provar o sertão. Entre a caatinga e o Rio São Francisco nasce um vinho brasileiro com história, frescor e personalidade, e queremos brindar com vocês nos próximos 40 anos.”