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Brasil amplia mapa do enoturismo e aposta na descentralização do setor

Do Sul ao Nordeste, regiões crescem em visitantes, receita e sofisticação

O Vale do Douro, em Portugal, é referência para entender o que ocorre quando uma região vitivinícola transforma o turismo em motor econômico. Vinícolas centenárias convertidas em hotéis boutique, jantares harmonizados à beira do rio, vindimas abertas ao público e rotas que conectam produtores de diferentes portes criam uma rede de experiências que converte a paisagem em produto. Hoje, a região recebe turistas de mais de 50 países por temporada. No Brasil, com polos produtores distribuídos por ao menos seis estados, esse movimento também ganha força e avança mais rápido do que o mercado percebe.

O turismo na Serra Gaúcha cresceu 57,8% em experiências comercializadas em 2025 em relação a 2024, com mais de 71 mil bilhetes vendidos e ticket médio de R$ 510, segundo levantamento da plataforma Wine Locals. 

No estado de São Paulo, o programa Rotas do Vinho já reúne 87 vinícolas participantes, com crescimento médio de 27% no fluxo de visitantes e gasto médio de R$ 204 por turista, conforme o Centro de Inteligência da Economia do Turismo. 

Já no Nordeste, o Vale do São Francisco — maior área de vinhedos tropicais do mundo, distribuída entre Pernambuco e Bahia — consolida um modelo próprio de enoturismo, com hotéis dentro das próprias fazendas produtoras e roteiros que aliam o Rio São Francisco às videiras em pleno semiárido.

Serra Gaúcha

O Rio Grande do Sul é o ponto de partida de qualquer análise deste ramo. O estado tem mais de 500 vinícolas em atividade, produzindo mais de 905 mil toneladas de uva em 2025, em área colhida de 42,4 mil hectares, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – RS (Emater-RS). É nesse território que o Vale dos Vinhedos estabilizou a primeira Denominação de Origem (DO) do Brasil e estruturou a mais robusta rede de enoturismo do país. No ano passado, a recorrência de compra nas experiências gaúchas chegou a 22,5%, um indicador que diferencia o turismo de vinho da visita eventual: parte do público começa a frequentar a região regularmente.

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O modelo de hospedagem na própria vinícola, já firmado no exterior, tem equivalentes na Serra Gaúcha. Pousadas e pequenos hotéis instalados em antigas propriedades rurais, com vista para os vinhedos e roteiro de visitação incluído na diária, são a resposta local ao que Portugal, por exemplo, construiu ao longo de décadas — e estão cada vez mais próximos do padrão boutique que o turista exigente busca.

Santa Catarina

Longe dos polos mais tradicionais, o enoturismo no Brasil avança com rapidez e ganha novas configurações. Em Santa Catarina, o Planalto Catarinense, com destaque para São Joaquim e Urubici, consolida sua relevância com a viticultura de altitude e rótulos cada vez mais competitivos. 

São Paulo

Já em São Paulo, destinos como São Roque e a Serra da Mantiqueira integram vinícolas, cafés especiais e patrimônio histórico, impulsionados também pelo programa Rotas do Vinho.

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Minas Gerais

Minas Gerais amplia sua atuação ao combinar vinícolas, produção de queijos artesanais e turismo de natureza em seus roteiros. 

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Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o Centro-Sul Fluminense entra nesse circuito com uma rota recém-criada voltada ao público do enoturismo. 

Vale do São Francisco

Enquanto isso, no Nordeste, o Vale do São Francisco se destaca por seu caráter único: vinhedos tropicais irrigados em pleno semiárido, onde variedades como Syrah, Tempranillo e Chardonnay dão origem a uma experiência singular no cenário global.

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O avanço do enoturismo no Brasil também ganha espaço de discussão no mercado profissional. De 06 e 08 de outubro, o Expo Center Norte, na capital paulista, recebe a ProWine São Paulo 2026, reunindo produtores de diferentes regiões do país  e do mundo — muitos deles diretamente envolvidos no desenvolvimento dessas experiências. As inscrições já estão abertas em: prowinesaopaulo.com.

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