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Casa do primeiro vinhedo de Syrah do Brasil, a Estância Paraizo transforma seus tintos em capítulos da história da fronteira sul-brasileira

Sob os cuidados da mesma família há dez gerações desde 1790, a vinícola boutique gaúcha — dona do primeiro vinhedo da casta Syrah registrado no Brasil pelo Ministério da Agricultura, em 2000 — cultiva Cabernet Sauvignon e Syrah dentro de uma estância de pecuária certificada pela conservação do Pampa, e batiza cada tinto com uma história real da formação da fronteira sul-brasileira

A Estância Paraizo, vinícola boutique de Bagé, no Rio Grande do Sul, é a casa do primeiro vinhedo da casta Syrah registrado no Brasil, reconhecido pelo Ministério da Agricultura no ano 2000. Sob os cuidados da família Mercio há dez gerações desde 1790, a propriedade produz seus vinhos tintos dentro de uma estância de pecuária de corte certificada pela Alianza del Pastizal, que reconhece práticas de conservação do bioma Pampa, e já foi citada pela crítica internacional: em 2024, a jornalista Amanda Barnes MW, especialista em vinhos sul-americanos, incluiu a Estância entre suas produtoras favoritas da Campanha Gaúcha no site do crítico britânico Jancis Robinson, que apontou o Cabernet Sauvignon da região como sua “variedade-estrela”.

A Campanha Gaúcha, região de fronteira com o Uruguai reconhecida com Indicação de Procedência desde 2020, é hoje a segunda maior produtora de vinhos finos do Brasil. No artigo “Brazil’s Wine Revolution”, Barnes escreveu: “It also has deep, well-drained sandy and basalt soils that lend themselves to very rounded, supple red wines (…) My favourite producers were (…) Estância Paraíso (…)” — grafia original da publicação, com acento; a grafia atual da marca é Estância Paraizo.

Na Estância, cada rótulo tinto carrega um capítulo real da história da família e da fronteira sul-brasileira. O Camilo Primeiro, 100% Syrah, homenageia o pioneiro açoriano Camilo Mercio, herói da Guerra do Paraguai condecorado por Dom Pedro II, e marca o primeiro vinhedo da casta Syrah do Brasil, com mudas vindas da África do Sul e registrado no Ministério da Agricultura no ano 2000. Já o Cova de Toro, corte de Syrah e Cabernet Sauvignon, relembra o Coronel Thomaz, herói Maragato da Revolução Federalista de 1893, enterrado no topo do cerro onde os filhos ergueram a Capela de São Jorge — ao lado da qual o vinhedo foi implantado, no melhor solo da propriedade. Enquanto o Don Thomaz y Victoria, 100% Cabernet Sauvignon, homenageia a 10ª geração da família, hoje à frente da Estância.

“Não fazemos vinho separado da terra: nossa vitivinicultura nasce da mesma paisagem que sustenta nossa pecuária de corte e a conservação do Pampa. Cada rótulo tinto que colocamos na garrafa é também um capítulo da história da nossa fronteira”, afirma Victoria Mercio, à frente da Estância ao lado do irmão Thomaz, representando a 10ª geração da família.

Os campos da propriedade são certificados pela Alianza del Pastizal, com produção de uva integrada à pecuária de corte (raça Braford) e à ovinocultura. Já foram catalogadas 106 espécies de aves na propriedade, três delas ameaçadas de extinção — evidência da convivência entre vinhedo, gado e conservação do Pampa. O selo da certificação estampa o contrarrótulo de todos os vinhos da Estância.

O cuidado da Estância com os rótulos também foi reconhecido fora da garrafa: os espumantes Azor Marítimo e Azor Volcano estão no shortlist de finalistas do Prêmio ABRE da Embalagem Brasileira 2026, da ABRE — Associação Brasileira de Embalagem, com inscrição assinada pela Avery Dennison.

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