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Código na base das garrafas pode ser solução mais segura contra falsificação de vinhos

Segundo o investigador Nick Bartman, códigos já existentes nas garrafas são o segredo para impedir as falsificações

Um experiente investigador de fraudes industriais, entre elas falsificação de vinhos, Nick Bartman, afirmou, em entrevista à revista Wine Spectator, que o modo mais seguro e eficaz de combater imitações fraudulentas em vinhos já existe, mas ainda não foi implementado pelos produtores do mundo.

Segundo ele, o identificador mais eficaz de autenticidade já está no fundo de cada garrafa. Ao observar atentamente uma garrafa de vinho, você verá, na base, pequenas insígnias, números e uma sequência estranha de pontos salientes moldados no vidro que parecem uma linguagem em Braile.

Esses códigos são usados pelos fabricantes para rastrear as garrafas e seus respectivos lotes, caso apresentem algum problema. Esses números e símbolos revelam o fabricante, a região ou país, o molde utilizado, o volume de líquido contido no frasco, e a distância entre o topo do gargalo da garrafa e a parte superior do vinho.

Segundo Bartman, o mais importante, porém, é o código de pontos. “Há um número aproximado de 13 pontos em uma garrafa que proporcionam um código; as combinações de quantidade de pontos, as suas posições e espaçamentos podem variar”, explicou. Esse código pode ser rastreado.

Então, se houvesse um sistema para registrar quais vinhos são colocados em quais garrafas, a combinação de insígnias, números e pontos, juntamente com a complexidade de copiar a qualidade e a cor do vidro, seria uma forma de unir a garrafa, o vinho e a marca juntos de tal forma que o transformaria em um “alvo em movimento” para os fraudadores.

“Isso torna o trabalho do falsificador quase impossível”, alega Bartman. Para a ideia funcionar, os fabricantes de garrafas devem compartilhar com seus clientes detalhes dos códigos nos lotes entregues. Na linha de engarrafamento dos produtores de vinho, seriam gravadas as informações vinculadas a um lote específico e os rótulos utilizados. A informação pode ser armazenada numa base de dados que pode ser acessada anos mais tarde.

Para Bartman, esse método, se implementado, seria o mais seguro já usado, pois torna o trabalho do falsificador muito complexo e caro. “Os criminosos teriam que convencer um fabricante de garrafas de vidro a copiar um lote de garrafas. Isso torna o trabalho muito mais difícil, quase impossível”, alega, já que o custo dos moldes é proibitivo e replicar apenas um molde iria inundar o mercado com muitas garrafas semelhantes, acionando alarmes.

Outro ponto é que a indústria das garrafas é dominada por empresas gigantes, que teriam muito a perder com a falsificação. “Para executar o crime perfeito, primeiro ele deve encontrar um fabricante preparado para falsificar uma garrafa de um concorrente”, diz Bartman.

Fonte: Revista Adega

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