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Mercado de vinhos no Brasil movimenta R$ 21 bilhões e retoma crescimento

Abastecimento alcança 54,5 milhões de caixas em 2025, impulsionado por premiumização, espumantes nacionais e importados chilenos

Depois de um período de ajuste de estoques na cadeia de distribuição, o mercado brasileiro de vinhos voltou a crescer em 2025 e movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões no país. O resultado reforça a relevância do Brasil para a indústria global e indica uma recuperação após a acomodação observada entre 2022 e 2023. Os dados foram apresentados durante a 11ª edição do Seminário Adega Ideal, promovido pela Revista Adega em parceria com a consultoria Ideal BI, no último dia 10 de março, em São Paulo (SP).

O abastecimento de vinhos e espumantes no mercado nacional chegou a 54,5 milhões de caixas de nove litros, avanço de aproximadamente 8% em relação ao ano anterior. O volume aproxima o setor dos níveis registrados durante o auge da pandemia e sinaliza uma retomada gradual da demanda.

Entre os principais fatores que sustentaram esse crescimento estão a premiumização do vinho de mesa nacional, a quebra da sazonalidade dos espumantes brasileiros e o desempenho consistente dos vinhos importados do Chile, que continuam entre os mais presentes nas prateleiras do país.

Mesmo diante de desafios como inflação elevada e crédito mais caro, o setor demonstrou resiliência ao longo do ano. Um inverno mais rigoroso também ajudou a estimular a demanda, enquanto o comportamento do consumidor se mostrou mais seletivo, com preferência por vinhos brancos, espumantes e rótulos de maior valor agregado.

Consumo volta a crescer

O consumo médio de vinho no Brasil voltou a subir em 2025. Entre adultos, o indicador retornou ao patamar de 3 litros por pessoa ao ano, uma alta de cerca de 7% em relação a 2024 e de 35% na última década.

Esse cálculo considera o volume abastecido no mercado, partindo do princípio de que o produto chega ao consumidor final. Especialistas do setor, no entanto, lembram que oscilações de estoque na cadeia de distribuição podem influenciar a leitura anual.

Ainda assim, em uma perspectiva histórica mais ampla, os dados apontam para uma expansão consistente do consumo no país, mesmo que em ritmo mais lento do que em mercados tradicionais.

Diferenças regionais

Com dimensão continental e mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil apresenta grande diversidade cultural e de hábitos de consumo. Essa heterogeneidade também se reflete no mercado de vinhos.

Enquanto o consumo médio nacional entre adultos gira em torno de 3 litros por pessoa, algumas regiões apresentam índices bem superiores. No Sul, por exemplo, o consumo médio chega a cerca de 6 litros por ano, enquanto no Sudeste fica próximo de 4 litros.

A diferença está associada principalmente à renda média e ao maior acesso à cultura do vinho nessas regiões, que concentram os principais polos consumidores do país.

Potencial ainda é grande

Mesmo com o avanço recente, o consumo brasileiro ainda está distante de países tradicionalmente associados ao vinho. Em Portugal, por exemplo, o consumo médio ultrapassa 50 litros por pessoa ao ano, evidenciando o potencial de expansão do mercado brasileiro.

Esse cenário também tem despertado o interesse de produtores internacionais, especialmente em um momento em que o consumo desacelera em mercados tradicionais da Europa. Hoje, entre os principais fornecedores do mercado brasileiro estão Chile, Brasil, Argentina, Portugal, Itália e Espanha.

Com uma base de consumidores em expansão e maior interesse por rótulos de melhor qualidade, o setor vê espaço para crescimento nos próximos anos — especialmente em categorias de maior valor agregado.

Clique aqui para assistir na íntegra o 11º Seminário Adega Ideal

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