Mudanças nas embalagens do vinho para reduzir a pegada de carbono em tempos de COP30
Por Reinaldo Paes Barreto*
A cadeia produtiva do vinho produzido ou comercializado no Brasil está em trânsito para um novo realinhamento com as exigências ambientais que estão na mesa. No vinhedo, por exemplo, cada vez mais o agricultor e o enólogo terão que praticar a chamada “Agricultura de Precisão” (o geoapeamento do parreiral por fileira), o rastreamento genético das uvas, o rígido controle hídrico e a redução (se possível, eliminação) de defensivos químicos.
E caminhamos para a exigência de certificados de carbono neutro, obtidos por meio de projetos de reflorestamento e/ou pela implementação de tecnologias limpas, como a que recorre à energia eólica, ou solar.
Já na fase pré-final, a do engarrafamento, há a necessidade de se redesenhar com urgência o formato e o peso das garrafas de vidro, porque o peso da grande maioria das garrafas em circulação representa cerca de 2/3 da chamada “pegada do carbono”, a métrica que contabiliza a emissão de gases de feito estufa no ar que respiramos. E isso porque o seu transporte em caminhões ou assemelhados, que é o mais comum e barato, devido à soma dos pesos, aumenta a presença de dióxido de carbono nas ruas e estradas.
Soluções já testadas: no vidro, a utilização de garrafas pesando 300g a 400g, no máximo, em vez das atuais, pesando de 600g a 900g. A alternativa, vencendo o preconceito dos enófilos ortodoxos, é recorrer a outros materiais, como as embalagens em “bag-in-box” de 1 e até 3 litros de vinho.
Ou, ainda, na opção mais audaciosa, mas que conta com a adesão dos “millennials” e da geração Z, embalando o vinho em latas, novidade lançada no eixo Rio-SP em 2019 para vinhos de consumo casual: piqueniques, praias, casas de campo, campings etc.
Ou seja, num futuro próximo e desejável, veremos no mercado garrafas pets biodegradáveis, além de rótulos que serão impressos com tintas à base de água, um design mais despojado e com menos camadas de tinta química.
Detalhe: obviamente não estamos incluindo nesta nova geração de vinhos reprogramados como na “prescrição” acima os vinhaços de três e mais dígitos cada, em dólares ou euros, vinhos de guarda ou para consumo em ocasiões especiais. Estes têm um “laissez-passer” ambiental pela qualidade/raridade com que são produzidos.
Só assim poderemos assegurar a continuidade da presença no mundo moderno desse produto bíblico, que junto com o linho, o trigo e a azeitona nunca estiveram distantes da presença humana sobre a Terra nestes últimos cinco séculos.
*Reinaldo Paes Barreto trabalha com Comunicação há 55 anos, e ao longo desse período, nunca se afastou do seu hobby: a paixão por vinhos. É vice-presidente do Conselho de Cultura da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
Crédito foto: Marcelo Casal Jr, ABr
Fonte: Monitor Mercantil