Pacífico chileno, Champagne, terroirs brasileiros, Mounjaro e releituras da coquetelaria ampliam o repertório do ProWine Forum
Há mudanças acontecendo tanto dentro quanto fora da taça. Na Sala 2 do ProWine Forum, elas aparecem nos vinhos moldados pelo Pacífico chileno, em novos terroirs brasileiros, na evolução de rótulos consagrados e até nos efeitos de novos hábitos de consumo sobre restaurantes e adegas. Champagne, Austrália, Toscana e coquetelaria completam uma programação que combina degustação e discussão durante a ProWine São Paulo 2026.
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A influência do oceano abre esse percurso. Representantes das vinícolas do grupo Wines of Chile participam de “Chile em Clima Fresco: Vinhos Moldados pelo Pacífico”, experiência dedicada ao impacto da Corrente de Humboldt e das zonas costeiras sobre diferentes vales e variedades. Frescor, tensão e possibilidades de harmonização com a gastronomia brasileira orientam a degustação.
Duas tradicionais maisons de Champagne dividem outra sessão. Em “Moët & Chandon e Veuve Clicquot: As Duas Expressões da Elegância de Champagne”, o enólogo François Hautekeur percorre estilos das duas casas por meio de rótulos como Moët & Chandon Brut Impérial e Rosé Impérial, além de Veuve Clicquot Brut e Rosé.
A geografia brasileira entra na programação com Arthur Piccolomini de Azevedo, vice-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-SP (ABS-SP). “Vinhos Vulcânicos do Sudeste Brasileiro” investiga terroirs de influência vulcânica e a relação entre solo, clima e vinho para compreender algumas das novas expressões da produção nacional.
Da América do Sul para a Oceania, Eduardo Milan, da Wine Australia, contrapõe tradição e renovação em “Austrália Clássica e Contemporânea”. A sessão revisita estilos estabelecidos e incorpora rótulos que refletem a inovação e as novas perspectivas da comunidade de produtores australianos.
Uma safra excepcional conduz a participação de Adriano Miolo. A nova edição dos “Lendários 2023” reúne sete rótulos de uma linha elaborada exclusivamente em anos nos quais diferentes fatores climáticos atuam em equilíbrio ao longo do ciclo da videira. A coleção marca um novo capítulo da vinícola.
O comportamento do consumidor muda o rumo da conversa. Médico e diretor executivo da ABS-SP, José Luiz Alvim Borges conduz “Mounjaropatia? Como os novos hábitos de consumo estão impactando adegas e restaurantes”, discussão sobre os reflexos do uso do medicamento no universo do vinho e da gastronomia e sobre mudanças de hábitos e estilo de vida que vêm interferindo nas escolhas de consumo.
Outra transformação acontece no próprio mapa vitivinícola brasileiro. Em “UVVA: as novas expressões de um terroir em evolução”, o enólogo Marcelo Petroli percorre o desenvolvimento da vinícola na Chapada Diamantina e apresenta dois vinhos representativos dessa nova fase. Solo, clima, altitude e ciência ajudam a explicar as interpretações enológicas que vêm surgindo na região.
A inovação também passa pelo balcão do bar. Mario Telles Jr., da ABS-SP, discute em “Velhos Coquetéis, Novas Ideias: A Importância do Riff” como receitas clássicas continuam servindo de base para novas criações, preservando sua essência enquanto incorporam outros ingredientes, técnicas e interpretações. Mario também conduz o “Prêmio ABS-SP ADEGA 2026 – Melhores do Ano”, cerimônia dedicada a profissionais, estabelecimentos e personalidades dos universos do vinho, da gastronomia e das bebidas.
A Toscana aparece sob duas perspectivas em “Tradição e Vanguarda: Do Chianti Clássico de Radda à Costa Toscana – Seis Taças, Duas Expressões”. Leandro Cunha e Nadia Sharapova percorrem diferentes interpretações do território por meio de seis vinhos, contrastando a tradição do Chianti Clássico de Radda com a influência marítima da Costa Toscana.
A trajetória da Famiglia Valduga ganha uma sessão própria com Eduardo Valduga. Em “Segredos da Famiglia Valduga”, rótulos emblemáticos e projetos recentes servem de fio condutor para histórias, escolhas enológicas e diferentes momentos da vinícola.
Já Garanhuns, no Agreste pernambucano, acrescenta outra coordenada ao novo mapa do vinho brasileiro. Carlos Eduardo Afonso de Mello, da Vinícola Mello, mostra como solo, altitude, clima, manejo e decisões técnicas vêm moldando a produção local. A apresentação percorre desde a implantação dos primeiros vinhedos até a escolha das variedades, os sistemas de condução, a adaptação das videiras e os desafios encontrados no campo.
Ao aproximar territórios estabelecidos de regiões que ainda estão construindo sua história vitivinícola — e o vinho de mudanças que acontecem no comportamento do consumidor —, a Sala 2 amplia a discussão para além de estilos e variedades. A agenda completa do ProWine Forum está disponível no aplicativo oficial da ProWine São Paulo, para Android e iOS.