Embora compartilhem a busca por uma produção mais sustentável, cada método adota práticas distintas no cultivo das uvas e na elaboração do vinho
Vinhos naturais, biológicos e biodinâmicos ganharam espaço nos últimos anos e impulsionaram o surgimento de festivais, feiras, bares e cartas especializadas dedicadas a esse universo. Com isso, o interesse do consumidor também cresceu. Apesar de frequentemente serem tratados como sinônimos, esses três conceitos possuem diferenças importantes, tanto na forma de cultivo quanto na produção dos vinhos.
O vinho natural é, provavelmente, o mais conhecido — e também o mais cercado de dúvidas. Sua filosofia busca reduzir ao mínimo a intervenção humana em todas as etapas da produção. No vinhedo, evita-se o uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos; na adega, a fermentação ocorre, em geral, com leveduras nativas e sem aditivos enológicos ou com o mínimo possível. A proposta é permitir que o vinho expresse de maneira mais fiel as características da uva, da safra e do terroir.
Esse modelo conquistou espaço em um momento em que consumidores passaram a valorizar cada vez mais a origem dos produtos, a identidade dos vinhedos e a autenticidade das experiências. No entanto, justamente por depender mais dos processos naturais, os resultados podem variar significativamente entre produtores e safras. Para alguns, essa imprevisibilidade faz parte do charme dos vinhos naturais; para outros, representa um desafio em termos de regularidade e padronização.
Já o vinho biológico — ou orgânico, em muitos mercados — concentra seus princípios principalmente no cultivo da videira. O uso de defensivos químicos sintéticos é restrito ou proibido, priorizando práticas agrícolas sustentáveis e o equilíbrio do ecossistema do vinhedo. Na vinificação, porém, há maior flexibilidade, sendo permitido o uso de leveduras selecionadas e de determinadas práticas enológicas, desde que respeitados os limites estabelecidos pelas certificações.
Por isso, um vinho biológico pode apresentar diferentes estilos, dos mais clássicos aos mais modernos. O que define essa categoria não é o perfil do vinho na taça, mas a forma como as uvas foram cultivadas.
O vinho biodinâmico compartilha os princípios da agricultura biológica, mas vai além. Inspirada nas ideias do filósofo austríaco Rudolf Steiner, a biodinâmica entende o vinhedo como um organismo vivo, no qual solo, plantas, animais e ambiente formam um sistema integrado. Os produtores também levam em consideração os ciclos naturais e os calendários lunares para orientar parte das atividades no campo, além de utilizar preparados naturais específicos para fortalecer a saúde do solo e das videiras.
Entender essas três filosofias ajuda o consumidor a fazer escolhas mais conscientes e a compreender que sustentabilidade pode ser aplicada de maneiras diferentes na vitivinicultura. Compreende-las permite ao consumidor interpretar melhor os rótulos e fazer escolhas mais alinhadas ao seu estilo de consumo e às suas preferências.
Na ProWine São Paulo, produtores que adotam diferentes métodos de cultivo e vinificação apresentarão seus rótulos ao público profissional, oferecendo uma oportunidade para comparar estilos, trocar experiências e ampliar o conhecimento sobre essas diferentes abordagens. A feira ocorre de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Para mais informações e credenciamento gratuito, acesse prowinesaopaulo.com.