Análise publicada pela Forbes Brasil mostra que, diante da queda do consumo mundial de vinhos, o desafio da Itália é transformar tradição e origem em marcas mais fortes, experiências memoráveis e maior percepção de valor
O vinho italiano vive um momento de redefinição estratégica. Em 2025, o consumo mundial de vinhos caiu para cerca de 20,8 bilhões de litros, redução de 2,7% em relação ao ano anterior e o menor volume registrado desde 1957, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). As exportações também perderam ritmo: foram 9,48 bilhões de litros embarcados, queda de 4,7% em volume, embora tenham movimentado € 33,8 bilhões. Diante desse cenário, o debate deixa de ser apenas sobre produzir mais e passa a concentrar-se em como agregar valor e fortalecer a imagem do vinho italiano no mercado internacional.
A avaliação é da Master of Wine Cristina Mercuri, em análise publicada pela Forbes Brasil. Para ela, a Itália reúne atributos difíceis de replicar, como terroirs reconhecidos mundialmente, tradição vitivinícola secular e uma diversidade de castas autóctones. O desafio, porém, está em transformar esse patrimônio em marcas consistentes, capazes de comunicar sua identidade e justificar maior valor percebido ao longo de toda a cadeia de comercialização.
Na prática, isso exige uma mudança de postura das próprias vinícolas. Cristina defende uma distribuição mais seletiva, comunicação consistente, hospitalidade de alto nível e equipes comerciais preparadas para transmitir a história e a identidade de cada vinho. Mais do que vender um produto, a proposta é construir uma experiência capaz de reforçar sua exclusividade.
Para a especialista, o verdadeiro diferencial dos vinhos de prestígio está em um atributo impossível de reproduzir artificialmente: a escassez. Cada safra é única, cada terroir é irrepetível. É justamente essa singularidade que sustenta o conceito de luxo no vinho. O papel das vinícolas, segundo ela, é tornar esse patrimônio mais compreensível e desejável por meio do enoturismo, de experiências imersivas e de narrativas que conectem origem, território e produção.
Os números da OIV reforçam a importância dessa estratégia. Mesmo com a retração registrada em 2025, quase metade da produção mundial é consumida fora dos países de origem, tornando a presença internacional cada vez mais decisiva. A análise da Forbes Brasil conclui que o futuro do setor passa por vinícolas capazes de se posicionar como marcas culturais, fortalecendo sua conexão com distribuidores, sommeliers, restaurantes e consumidores em diferentes mercados.
Esse movimento também será refletido na ProWine São Paulo 2026, maior feira profissional de vinhos e destilados das Américas e a maior realizada fora da Europa. O evento também reunirá produtores italianos, importadores e compradores especializados para três dias de negócios, degustações e troca de conhecimento, entre 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Mais informações e inscrições gratuitas para profissionais em: prowinesaopaulo.com.