Exportações portuguesas para o país somaram mais de R$ 500 milhões em 2025
Um dos países que está indo na contramão da queda do consumo de álcool no mundo, o Brasil já é o principal destino do vinho português quando o vinho do Porto fica de fora da conta, e a tendência é o país ganhar ainda mais peso nos próximos anos.
Os números ajudam a explicar o otimismo. Em 2025, os embarques de vinho português para o mercado brasileiro somaram 87,23 milhões de euros (R$ 518,93 milhões na cotação atual) e 28,30 milhões de litros. No primeiro semestre de 2026, as vendas já chegam a 39,37 milhões de euros (R$ 234,21 milhões), alta de 1,5%, e 12,92 milhões de litros, crescimento de 3,6% ante igual período do ano anterior.
Parte desse fôlego vem do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que passou a produzir efeitos práticos sobre o vinho neste ano, ainda antes da ratificação formal por todos os parlamentos europeus. A União Europeia recorreu a um mecanismo de aplicação provisória, que antecipou a vigência das regras comerciais combinadas.
Para os espumantes com valor acima de seis dólares por garrafa, a tarifa de cerca de 20% foi zerada de imediato. Já os vinhos tranquilos, categoria que reúne referências de regiões como Douro, Alentejo e Dão, partiam de uma alíquota de 27%, taxa que concorrentes diretos como Chile e Argentina não pagam. Essa tarifa caiu para 24% em 1º de maio de 2026 e vai recuar 3 pontos percentuais a cada 1º de janeiro até 2034, quando chega a zero.
O ritmo de redução para os vinhos tranquilos, um passo por ano ao longo de nove anos, pode diluir o ganho no bolso do consumidor final. Há também o risco da vantagem tarifária ser absorvida por oscilações cambiais ou pelas margens de intermediação ao longo da cadeia de distribuição. O acordo prevê reciprocidade: o espumante brasileiro também paga menos para entrar na Europa, com a tarifa atual de 0,32 centavos de euro por litro caindo ao longo dos mesmos 12 anos.
Além da queda de impostos, um público mais informado fez com que o interesse crescente por rótulos de maior valor agregado no Brasil os vinhos premium ganhasse mais espaço em cidades como Rio de Janeiro, Florianópolis, Recife, Fortaleza e Curitiba, além da já consolidada, São Paulo.
O presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, atribui essa sofisticação ao trabalho constante de masterclasses, provas técnicas e viagens comerciais realizado pela entidade e pelas comissões vitivinícolas regionais nos últimos anos. “Outros países também realizam esse esforço, embora não com a mesma intensidade de Portugal”, diz. “Como Portugal entrega vinhos de perfil singular, alta qualidade e excelente relação de preço, somos diretamente beneficiados à medida que o consumidor se torna mais informado.”