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Enquanto o mundo bebe menos vinho, Brasil registra consumo recorde

Em sentido contrário ao mercado global, país alcança o maior volume de consumo de sua história em 2025 e reforça sua importância para produtores nacionais e internacionais

Enquanto o consumo mundial de vinho segue em queda, o Brasil avança na direção oposta. Em 2025, o país atingiu o maior consumo de vinho já registrado, com 4,4 milhões de hectolitros, crescimento de 41,9% em relação ao ano anterior, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). O desempenho contrasta com o cenário global, que fechou o ano com retração de 2,7%, totalizando 208 milhões de hectolitros — o menor volume desde 1957. Entre os mercados analisados pela entidade, o Brasil foi o que apresentou o maior crescimento proporcional.

A desaceleração concentrou-se justamente nos principais mercados consumidores do mundo. Os Estados Unidos registraram queda de 4,3%, encerrando o ano com 31,9 milhões de hectolitros. Na China, o consumo recuou 13%, mantendo uma trajetória de retração iniciada em 2018. A França, tradicional referência do setor, apresentou redução de 3,2%, para 22 milhões de hectolitros — volume que, pela primeira vez, ficou abaixo do consumo interno de cerveja. Já a Argentina acumulou o quinto ano consecutivo de queda, com 7,5 milhões de hectolitros consumidos.

As razões para esse movimento passam por mudanças econômicas e comportamentais. A perda de poder de compra em diversos países após a pandemia, aliada à busca por hábitos de vida mais saudáveis, reduziu o consumo da bebida em mercados tradicionais. Entre os consumidores mais jovens, cresce o interesse por alternativas de baixo ou nenhum teor alcoólico, tendência que já impulsiona categorias como os vinhos sem álcool em países europeus.

No Brasil, o cenário é diferente. O consumidor passou a valorizar produtos de maior qualidade, origem definida e experiências ligadas à cultura do vinho. O crescimento do enoturismo, das degustações, dos jantares harmonizados e dos eventos especializados ampliou o contato do público com a bebida e contribuiu para a formação de novos consumidores. Esse movimento também aparece nas preferências de compra: levantamento da Ideal BI Consulting mostra que as vendas de vinhos brancos cresceram 28% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, refletindo um mercado mais aberto à experimentação.

O avanço do consumo foi acompanhado pela expansão da produção nacional. Em 2025, a área de vinhedos no Brasil alcançou 91 mil hectares, crescimento de 9,6% sobre o ano anterior e o quinto aumento anual consecutivo, segundo a OIV. A produção também se recuperou, chegando a 2,8 milhões de hectolitros, enquanto importantes produtores mundiais, como Espanha, Argentina e Chile, reduziram suas áreas cultivadas.

O bom momento também impulsionou os resultados econômicos do setor. De acordo com a Ideal BI Consulting, o mercado brasileiro de vinhos movimentou R$ 21,1 bilhões em 2025, cerca de 10% acima do registrado no ano anterior. Para 2026, a expectativa é que o faturamento ultrapasse R$ 22 bilhões, consolidando o Brasil como um dos mercados mais dinâmicos para o vinho no cenário internacional.

Esse novo momento do setor estará refletido na ProWine São Paulo 2026, maior feira profissional de vinhos e destilados das Américas e a maior realizada fora da Europa. Entre os dias 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, produtores, importadores, distribuidores, sommeliers e compradores de diversos países se reunirão para discutir tendências, ampliar negócios e acompanhar a evolução de um mercado que segue crescendo mesmo diante da retração global. Mais informações e inscrições gratuitas para profissionais em: prowinesaopaulo.com

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