NOTÍCIAS

Malbec registrou crescimento de 48% entre os consumidores regulares brasileiros

Da nobreza medieval francesa ao protagonismo nos Andes, a casta que quase desapareceu se reencontrou na Argentina e conquistou o paladar brasileiro

A Malbec nasceu na França e virou símbolo da Argentina. Entre esses dois capítulos, há pragas, geadas, um agrônomo francês e um terroir que ninguém esperava que funcionasse tão bem. Sua origem está em Cahors, cidade do sudoeste do país europeu, às margens do rio Lot. Lá, chamada de Côt ou Auxerrois, a uva produzia vinhos escuros e concentrados que chegaram à mesa do casamento de Leonor da Aquitânia com Henrique II, em 1152. Era uma variedade com história, mas sensível a pragas e fungos, o que acabou sendo substituída por opções mais resistentes nos próprios vinhedos franceses. A filoxera, que devastou a Europa no final do século 19, acelerou esse declínio. Uma geada em 1956 destruiu o que ainda restava dos vinhais originais de Cahors. 

A uva já havia chegado à Argentina em 17 de abril de 1853, pelas mãos do agrônomo Michel Aimé Pouget. E o que era pra ser uma coadjuvante — levada para melhorar blends locais — acabou virando protagonista. 

Em Mendoza, a Malbec encontrou condições que a França nunca ofereceu: dias quentes, noites frias e vinhedos que chegam a 3 mil metros de altitude, criando as condições para taninos aveludados, cor intensa e aromas frutados que os vinhos de Cahors nunca desenvolveram da mesma forma. Entre 1990 e 2009, a área de cultivo cresceu 173%, de 10 mil para 28 mil hectares. A uva que a Europa quase perdeu tornou-se o maior ativo da vitivinicultura argentina.

No copo, o resultado é direto. Cor violeta intensa, aromas de ameixa, amora e frutas negras maduras, com notas de violeta, baunilha e especiarias — reforçadas quando a bebida passa por barricas de carvalho. Os taninos são redondos e a acidez moderada, o que torna os Malbecs argentinos acessíveis ao consumo imediato, mas com exemplares de guarda que evoluem bem por anos. Os franceses de Cahors seguem em produção — mais rústicos, tânicos e minerais. São duas expressões da mesma uva com pouco em comum além da origem.

O Brasil abraçou a variedade como poucas. A Malbec registrou crescimento de 48% entre os consumidores regulares brasileiros, tornando-se a variedade com maior alta de consumo no país. É frequentemente a primeira uva que um brasileiro aprende a nomear — e uma das que mais voltam ao carrinho.

Na ProWine São Paulo 2026, os visitantes encontrarão uma ampla variedade de produtores de Malbec – a feira recebe vários países com mais de 1.500 marcas. As inscrições para profissionais estão abertas e são gratuitas. A feira ocorre de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte. Faça seu credenciamento em: prowinesaopaulo.com.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn

LEIA MAIS:

A essência do Atlântico nos Vinhos de Lisboa

30 de setembro de 2024

Consumo de vinho no Brasil reforça potencial de crescimento

16 de abril de 2026

Destilado símbolo da Grécia chega à ProWine São Paulo

10 de julho de 2026