NOTÍCIAS

Por que o brasileiro trocou quantidade por qualidade na taça?

O mercado de vinhos no Brasil está passando por uma transformação radical e os dados de julho mostram que o nosso jeito de beber mudou de vez

Sabe quando você vai ao supermercado, olha para aquela prateleira de vinhos de entrada e percebe que os rótulos que você comprava sem pensar sumiram ou ficaram caros demais? Pois é, não é impressão sua.

O mercado de vinhos no Brasil está passando por uma transformação radical e os dados de julho mostram que o nosso jeito de beber mudou de vez.

A palavra da moda agora é “premiumização”, mas, no fundo, o que está acontecendo é que o brasileiro decidiu que, se é para abrir uma garrafa, que seja uma boa.

Uma pesquisa da consultoria Ideal.BI trouxe números que explicam muita coisa. Por causa da queda no poder de compra da classe média-baixa, o volume de vinhos importados mais baratos despencou 9%.

Em contrapartida, os rótulos premium — aqueles que custam, em média, US$ 31,2 por caixa — já representam um terço de toda a receita das importações.

É o maior valor médio dos últimos dez anos. Ou seja: quem tem orçamento apertado está bebendo menos, e quem pode investir um pouco mais está buscando garrafas cada vez mais especiais.

O mercado nacional, aliás, deu um salto impressionante. Movimentamos R$ 4,18 bilhões e alcançamos a marca de 10,22 milhões de caixas, uma alta de 12% em volume. O curioso é que o consumo geral cresceu apenas 1,2%.

Isso me diz que estamos sendo muito mais seletivos. Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.BI, comentou que esse recorde também se deve à recuperação dos vinhos tintos importados, que voltaram a brilhar após dois anos de queda e hoje respondem por 70% do faturamento. Os brancos seguraram 25%, enquanto os rosés, que tiveram seu auge recentemente, caíram para 5%.

Na minha visão, o Brasil está se consolidando como um mercado maduro. A América do Sul bateu recorde histórico com 65% dos embarques para cá — o Uruguai cresceu incríveis 44% e a Argentina 16%.

Muito disso vem da expectativa pelo Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, que deu um gás no abastecimento.

Com uma projeção de 56,8 milhões de caixas produzidas em 2026, o recado é claro: tem muito vinho vindo por aí, mas o sarrafo da qualidade subiu.

E você, já escolheu sua próxima garrafa premium ou ainda está sofrendo com a alta dos básicos?

Fonte: Artigo de André Rossi | Adega do Déco | R7

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn

LEIA MAIS:

Patrimônio peruano, pisco terá masterclass especial na ProWine São Paulo

18 de setembro de 2025

Vinho grego disponível no Brasil traz rótulo inspirado em evidências arqueológicas de vestidos das antigas cretenses

23 de julho de 2024

Aprovale defende investimentos em infraestrutura para sustentar crescimento do Vale dos Vinhedos

22 de junho de 2026