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Vinhos Gaúchos ganha escala com 43 vinícolas na ProWine São Paulo

Espaço de 241,5 m² troca a programação centralizada por balcões individuais e amplia o contato direto entre produtores e profissionais do mercado

Quarenta e três vinícolas dividindo 241,5 m², mas cada uma com espaço próprio para contar sua história. O crescimento do Vinhos Gaúchos na ProWine São Paulo 2026 vem acompanhado de uma mudança no desenho da participação coletiva organizada pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), em parceria com o Sebrae RS. Em relação à edição anterior, o número de expositores sobe de 37 para 43 e a área passa de 227 m² para 241,5 m².

Mais do que uma expansão física, Cristina Carniel, gerente de promoção para o mercado interno do Consevitis-RS, relaciona os números ao estágio atual da produção do Estado. “A participação deste ano será marcada pela pluralidade e pela maturidade do vinho gaúcho”, afirma.

Essa pluralidade aparece na própria composição do espaço. A lista atravessa diferentes portes e regiões produtoras, da Serra Gaúcha à Campanha Gaúcha e à Serra do Sudeste. Estão confirmadas AreA15 Vinícola Boutique, Berkano Premium Wines Ltda., Buffon Vinhos, Casa Pedrucci, Cave Antiga Vitivinícola Ltda., Cooperativa Vinícola São João, Dom Aldino Finos Vinhos, Dunamis Vinhos e Vinhedos, Estância Paraizo Vinícola Boutique, Gallon Sucos, Garbo Enologia Criativa, Intento Vinhos e Espumantes, La Grande Bellezza, Maison Forestier, Manus Vinhas e Vinhos, Máscara de Ferro (MF Wines), Monte Sant’Ana, Otto Vinhos, Peterlongo, Pueblo Pampeiro, Quinta Don Bonifácio, Tazza Vinhos, Terraoro Vinhos, Vallebello Vinhedos & Vinhos, Vinhos Tradição (Vinícola Grutinha), Vinícola Campos de Cima, Vinícola Cainelli, Vinícola Casacorba, Vinícola Cristófoli, Vinícola Don Affonso, Vinícola Don Guerino, Vinícola Dom Bernardo, Vinícola Foppa & Ambrosi, Vinícola Lovatel, Vinícola Madre Terra, Vinícola Mena Kaho, Vinícola Peruzzo, Vinícola Pinhal Alto, Vinícola Salvati & Sirena, Vinícola Valmarino, Vinícola Velho Amancio, Vinícola Vita Eterna, Vinícola Zanella. .

Em 2026, porém, a escala maior não significará uma agenda mais concentrada. O espaço deixa de ter uma programação centralizada de masterclasses e degustações especiais e passa a privilegiar os balcões individuais. A ideia é permitir que os profissionais circulem pelos portfólios e conversem diretamente com as empresas. “A proposta é concentrar a participação na apresentação das vinícolas e na geração de oportunidades de relacionamento e negócios”, explica Cristina. A estratégia inclui ainda o Projeto Comprador Internacional, iniciativa da área de promoção para o mercado externo do Consevitis-RS voltada à aproximação das empresas com compradores estrangeiros.

Da pequena produção a novas combinações de castas

A diversidade que orienta o espaço também aparece nos lançamentos. Entre os destaques citados por Cristina estão o OTTO Sauvignon Blanc 2026, limitado a 1.307 garrafas, e o OTTO Pinot Noir 2026, com produção de 1.050 unidades. A Garbo terá o branco e o rosé da linha Pump It Up, enquanto a Lovatel mostrará o Cabernet Franc Giuseppe Lovatel.

A Campos de Cima reúne diferentes brancos e rosés da safra 2026, entre eles um blend de Assyrtiko, Alvarinho e Arinto. A Peterlongo soma novidades nas linhas Sintonia e Armando ao tradicional Champagne da marca. Completam a seleção destacada pelo Consevitis-RS o Espumante Brut Sur Lie, da Don Affonso, e o Espumante Monte Sant’Ana Purezza Tradicional Nature.

Para Cristina, a multiplicação de estilos ocorre em um momento no qual a discussão sobre o vinho gaúcho começa a avançar para além da necessidade de legitimar sua qualidade. “A qualidade dos vinhos deixou de ser uma questão que precisa ser constantemente comprovada”, avalia. O avanço das indicações geográficas, a profissionalização e o desenvolvimento do enoturismo estão entre os fatores apontados por ela para essa mudança de percepção. A comunicação também acompanha o movimento, com uma linguagem menos elitista e mais próxima dos hábitos do consumidor brasileiro.

No mercado, brancos, rosés, espumantes e vinhos mais leves vêm despertando interesse, assim como castas menos tradicionais e produções autorais. Esse movimento convive com dois comportamentos distintos: de um lado, consumidores atentos a produtos mais acessíveis; de outro, um público disposto a pagar mais por exclusividade e identidade territorial. Restaurantes, wine bars, lojas especializadas e e-commerce aparecem como canais com oportunidades comerciais, enquanto a gastronomia ganha relevância por ajudar a contextualizar origem e estilo dos rótulos.

Escala coletiva para pequenos produtores

O formato compartilhado ganha outra dimensão quando observado pela perspectiva das pequenas e médias vinícolas. A estrutura coletiva permite que produtores que dificilmente participariam individualmente de uma feira do porte da ProWine São Paulo tenham acesso ao mesmo ambiente de negócios.

“Ao participar sob a marca Vinhos Gaúchos, essas empresas passam a integrar um espaço de maior visibilidade e podem estar próximas de compradores, distribuidores e outros profissionais que talvez fossem mais difíceis de alcançar individualmente”, diz Cristina.

Os desafios que cercam essa produção também estarão, ainda que indiretamente, representados no pavilhão. Diante de um cenário climático cada vez mais imprevisível, algumas vinícolas vêm adotando soluções específicas. A Campos de Cima opera duas plantas de energia solar, uma nos vinhedos e outra na vinícola. A Lovatel participa de uma iniciativa de monitoramento climático com oito estações instaladas em áreas rurais de Caxias do Sul. Paralelamente, avança o uso de variedades PIWI, mais resistentes a doenças, como parte dos esforços de adaptação da viticultura.

Fora dos vinhedos, a lista de obstáculos inclui carga tributária, concorrência dos importados e custos de produção e logística, além do desafio de transformar o vinho brasileiro em uma escolha mais recorrente de consumo. Em contrapartida, Cristina identifica possibilidades de crescimento no enoturismo e na própria multiplicação de regiões produtoras e indicações geográficas no Rio Grande do Sul.

É justamente essa geografia mais ampla que o espaço pretende colocar diante dos profissionais de 6 a 8 de outubro. “Temos diferentes regiões produtoras, terroirs, castas, estilos, vinícolas e propostas. Temos tradição, mas também uma nova geração de produtores, pequenas produções, vinhos autorais, novas variedades e experiências diferentes”, afirma Cristina.

E resume em uma frase a mensagem que as 43 vinícolas pretendem deixar em São Paulo: “O vinho gaúcho tem história, mas também tem futuro.”

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